Crítica | Mulher-Maravilha

Um filme revigorante para o universo cinematográfico da DC

Marina Val Publicado por Marina Val
Crítica | Mulher-Maravilha

“Finalmente!”

Esse é o principal sentimento ao ver subir os créditos de Mulher-Maravilha. É um filme revigorante para o universo cinematográfico da DC, cujo roteiro realmente consegue colocar na telona todas as características que definem a protagonista de maneira extremamente fiel aos seus princípios.

O primeiro longa-metragem solo de uma super-heroína nos cinemas chega pra quebrar qualquer preconceito. Ele foge de fórmulas batidas e traz uma história verdadeiramente empolgante sem descaracterizar os personagens que conhecemos dos quadrinhos.

Gal Gadot continua a mostrar que era realmente o melhor nome para o papel, alguém que será associada ao laço da verdade por décadas, assim como acontece com Lynda Carter, que interpretou a personagem na série dos anos 1970. Depois de protagonizar aquele que é um dos melhores (ou talvez até o melhor) momentos de Batman vs Superman: A Origem da Justiça, a atriz traz a mesma empolgação para as lutas do seu próprio filme. Com sua força e carisma, ela quebra tudo – de maneira metafórica e também literalmente.

Ao lado de Diana, lutando na “guerra para acabar com todas as guerras”, está o oficial da aeronáutica Steve Trevor (Chris Pine). Ele tem uma boa química com a princesa de Temiscira e serve como um contraponto para o idealismo da protagonista, apresentando uma visão mais cética do mundo, determinado a cumprir apenas o seu objetivo e nada mais. Ao longo da trama, os dois aprendem um com o outro e se fortalecem dessa maneira.

Mesmo que largamente ambientado em meio à Primeira Guerra Mundial, um dos maiores conflitos que já assolou a humanidade, o filme encontra maneiras de não sufocar a construção da história de origem da Mulher-Maravilha em meio à grandiosidade do evento. Todos os terrores com os quais ela se depara são eficazes para retratar seus embates internos, ao mostrarem tão claramente o melhor e o pior da humanidade.

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A Mulher-Maravilha é uma personagem que, desde sua concepção – por volta de 1940 -, foi criada para triunfar através de conceitos como amor e justiça, muito mais do que por seus punhos. E, para verdadeiramente amar alguém, é preciso conhecer os defeitos do outro. Por conta disso, é só depois de perceber o “problema” do livre arbítrio – em que humanos são igualmente capazes de ações terríveis ou de atos de pura devoção ao “bem maior” – e mesmo assim continuar fiel aos seus próprios princípios, que ela consegue trazer à tona a sua verdadeira força e lutar para preservar a humanidade.

Patty Jenkins, a diretora do filme, consegue retratar as dúvidas e conflitos internos de Diana de maneira brilhante, pois ela conhece a heroína a fundo. Existe um cuidado em seguir um ritmo que mostre todas as mudanças que estão acontecendo na vida dela, sem deixar tudo muito arrastado ou apressado. As mais de 2 horas de projeção não cansam o espectador, nem deixam ninguém perder a empolgação.

Em inúmeros momentos, é possível avistar caminhos que poderiam ter levado a escorregadas que comprometeriam o filme. Um deles acontece quando Diana começa a conhecer melhor Steve e parece que ela é boba e ingênua, mas o roteiro consegue explicar de maneira bem-humorada que esse não é bem o caso, fugindo de clichés de “nasci ontem e sou sexy”.

Aliás, todas as pitadas de humor de Mulher-Maravilha são bem pontuais e muito contextualizadas. Elas estão mais presentes em cenas antes de a personagem se chocar com a dura realidade das frentes de batalha da guerra, e, talvez o mais importante: colocadas de maneira própria, sem tentar copiar o estilo da concorrência.

O ponto mais fraco da trama são os vilões. Enquanto é possível ver o desenvolvimento emocional de Diana Prince e de Steve Trevor, o mesmo não pode ser dito sobre os antagonistas. Eles são rasos, bidimensionais e esquecíveis. Mas, considerando que o filme é voltado para a construção da heroína e que ele faz isso de maneira excepcional, esse é um detalhe que não compromete a história que está sendo contada.

Mulher-Maravilha dita seu próprio estilo, regras e ritmo, mesmo sendo um filme de origem de super-herói dentro de um universo cinematográfico maior. Ela não tenta ser comparável ao que veio antes, mas chega para ser o mais forte dos alicerces de tudo que a DC ainda vai construir.

Ou como a própria heroína diz em um momento do filme: “É incrível, você deve se orgulhar”.