Crítica | La La Land – Cantando Estações

A resposta perfeita para quem diz que não se fazem mais musicais como antigamente

Marina Val Publicado por Marina Val
Crítica | La La Land – Cantando Estações

La La Land – Cantando Estações é a resposta perfeita para quem diz que “não se fazem mais musicais como antigamente”. Todas as canções e o desenrolar da trama são a mais pura síntese de um passado mais ingênuo de Hollywood, no qual mesmo um encontro que começa com uma troca de grosserias no trânsito pode florescer em romance.

Ao longo de quatro estações do ano, somos levados para Los Angeles para acompanhar os encontros e desencontros de um casal de sonhadores, que tenta prosperar em uma cidade conhecida justamente por despedaçar sonhos de atores, modelos e músicos que vão até ela com esperança de fama.

29-la-la-land-review

A química entre Mia (Emma Stone), a barista que sonha em virar uma atriz famosa, e Sebastian (Ryan Gosling), um pianista que tenta fazer com que o jazz tenha a mesma paixão, força e popularidade que já teve em décadas passadas, é crível e encantadora. Cada sorriso de Emma Stone faz o público mergulhar mais fundo naquele universo surreal no qual pessoas cantam e conseguem ser felizes em engarrafamentos, carros perdidos podem levar a encontros marcantes e amantes podem flutuar entre as estrelas.

Brilhando só pra mim

Curiosamente, são justamente as canções, onde se esperava mais capricho, que acabam deixando um pouco a desejar por conta dos vocais de Ryan Gosling. Existe um esforço perceptível da parte do ator para fazer um bom trabalho, mas ser um bom cantor exige mais que ser afinado e ter ritmo. As melodias são gostosas de se ouvir e “City of Stars” é especialmente marcante, mas a voz de Ryan dificilmente agradaria fora do contexto do filme.

O que falta em termos de voz acaba sendo compensado pelo carisma dos protagonistas, pela boa coreografia e visual inesquecível de cada uma das apresentações musicais. Usando cores vibrantes e contrastes fortes, a fotografia consegue acentuar o clima mágico do longa e realçar os protagonistas no meio da multidão (algumas vezes, literalmente). É tudo mágico, e em quase qualquer cena é possível escolher momentos que mereciam ser emoldurados.

Sonhos se tornando realidade

O desejo de Sebastian de reviver o jazz ecoa fora das telas, já que podemos perceber um paralelo com o que Damien Chazelle, diretor e roteirista do filme, tenta fazer com La La Land – Cantando Estações. Ao longo de pouco mais de duas horas de projeção, ele tenta mostrar que é possível que um gênero quase esquecido por Hollywood, como musicais, ainda tenha valor nos dias de hoje.

la-la-land-trailer

Assim como o protagonista do longa, que tenta reviver o jazz em sua vertente mais clássica, Chazelle não cria nada realmente inovador ao tentar trazer o tempo de glória dos musicais. Não que isso seja algo necessariamente ruim, já que esta é uma obra que faz o público querer sair cantando e dançando do cinema. O mundo criado pelo diretor e roteirista é colorido, plástico, perfeito, com poucos conflitos, alguns toques de melancolia e muita alegria. É Hollywood glorificando a mágica de Hollywood.

La La Land – Cantando Estações é um filme leve e visualmente incrível. Mostra que, mesmo sem reinventar o gênero, ainda há espaço para a ingenuidade de musicais e quem sabe até para os sonhadores.