Crítica | A Bela e a Fera

É sempre uma surpresa quando alguém faz um remake de uma história amada e ainda consegue encantar

Marina Val Publicado por Marina Val
Crítica | A Bela e a Fera

A Bela e a Fera é um clássico da Disney que não é tão antigo assim. Diferente de Mogli – o Livro da Selva (lançado em 1967 pela empresa do Mickey, ganhou nova versão em 2016) o conto sobre o príncipe transformado em uma besta assustadora e a moça que se encanta por ele foi originalmente lançado como animação em 1991 e não parecia realmente necessário já fazer um remake live-action.

Entretanto, a desconfiança sobre a ideia ser boa ou não começa a se dissipar logo quando a canção sobre a vida de Bela na vila é cantada. As coreografias, as cores e os cenários são cheios de energia e resumem muito bem tudo que o espectador precisa saber sobre a vida naquele local e também mostra um pouco do que esperar dessa obra.

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Além disso, é muito fácil para qualquer pessoa que em algum momento sentiu que não se encaixava nos padrões se identificar com as angústias de Bela (Emma Watson), que é tratada como a esquisita da vila e ostracizada por gostar de ler.

Temos aqui uma garota estranha

Bela é ainda mais destemida e criativa do que a animação. No live-action, a jovem heroína mostra que sua inteligência não é voltada apenas para leitura e inventa uma espécie de máquina para lavar suas roupas (conseguindo assim mais tempo para seus amados livros), enquanto no original apenas seu pai era uma espécie de inventor.

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Todas as músicas clássicas continuam presentes e tão contagiantes quanto no longa de 1991, e algumas canções novas são adicionadas. As novidades na trilha sonora não são tão marcantes, mas não chegam a destoar do clima. A protagonista, interpretada por Emma Watson, consegue ser cativante e convencer na emoção, apesar de a atriz não ser uma cantora tão incrível.

Alguma coisa acontece

Em alguns pontos a história é melhor amarrada do que na animação original. Por exemplo, os inúmeros filhos da Madame Samovar (Emma Thompson), que simplesmente desapareciam da versão animada quando o encanto era quebrado, foram substituídos apenas por Zip, que agora é seu filho único. Além disso, o longa oferece uma rápida explicação sobre o motivo do desaparecimento súbito de tantas pessoas que trabalhavam no mesmo castelo não levantar nenhuma suspeita.

O passado dos dois protagonistas também é mais aprofundado na versão live-action, chegando a mostrar algumas semelhanças relacionadas às famílias deles, embora as circunstâncias e desfechos tenham sido completamente distintas.

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Personagens secundários, como LeFou, ganham uma personalidade muito bem definida e o carisma de Josh Gad ao interpretar o melhor amigo de Gaston também ajuda bastante. Ele deixa de ser um capanga bobo para alguém que tenta fazer com que o melhor do vilão venha à tona e se destaca de tal maneira que consegue brilhar mesmo em um elenco que conta com nomes como Ian McKellen e Ewan McGregor.

Sentimentos são fáceis de mudar

É sempre uma surpresa quando alguém faz um remake de uma história amada e, mesmo sem inovar tanto, consegue encantar. Este não era um longa realmente essencial de ser refeito – especialmente considerando que se passaram apenas 26 anos desde o lançamento da animação da Disney –, mas A Bela e a Fera é bem sucedido em trazer novos elementos que contextualizam melhor a história, de maneira que ela passa a fazer mais sentido para a nova geração.

Existe espaço para recontar histórias clássicas e cativar um novo público e também para inovar em novas franquias, como Moana: Um Mar de Aventuras e Zootopia: Essa Cidade é o Bicho. Não é preciso escolher entre um ou outro, existe espaço para mulheres que se apaixonam e também para garotas independentes que salvam a própria vila.