Conheça Wolfstride, RPG brasileiro influenciado por animes e k-dramas

Conversamos com Ota Imon sobre a criação do jogo!

Tayná Garcia Publicado por Tayná Garcia
Conheça Wolfstride, RPG brasileiro influenciado por animes e k-dramas

Wolfstride é um RPG brasileiro sobre lutas entre robôs, três parceiros de crime e uma “simples” missão de mudar o destino do mundo.

Mas, debaixo dessa roupagem, está um jogo que foi criado aos poucos e com muitas influências inusitadas, por desenvolvedores que não tinham medo de colocar (e tirar) novas ideias com o trem andando.

Para saber mais sobre o game — e os bastidores do desenvolvimento –, batemos um papo com o criador, Ota Imon, que contou como suas obras favoritas e até sua vida influenciaram o projeto!

O início do “Passo de Lobo”

A história acompanha o vigarista Dominique Shade, o piloto Knife Leopard e o mecânico Duque — que, juntos, participam de batalhas de mechas gigantes. No entanto, nem sempre foi assim.

Originalmente, Shade seria o piloto, e Knife seria o rival. Mas os planos mudaram quando Ota criou a primeira arte de Knife e se impressionou com o visual, então decidiu estender seu papel. “Era pra ele ser descartável. Mas aí eu fiz uma arte dele sorrindo com cabelo mais comprido, e ele era legal demais pra sair da história! Então, ele virou o piloto”, explica.

Um cartaz de Wolfstride com os personagens principais

A maneira como ideias mudavam durante o desenvolvimento para as peças se encaixarem aos poucos foi algo frequente. Ota até brincou que “sabia apenas uns 20% do que estava fazendo, o resto foi acidente ou gambiarra”.

Até a ideia de ter robôs, algo crucial na história agora, surgiu como “solução” para o jogo não acabar com tantos personagens.

“Eu queria criar um jogo sobre monstros que atacariam a Terra, e a única linha de defesa seria um exército de gente muito incompetente. A ideia começou a crescer demais e, para não ter tantas pessoas no jogo, decidi colocar todos em um ‘robozão’”.

O título também teve alteração. Ao começar a ser desenvolvido em 2016, o jogo se chamava Corona Black, graças a uma música da banda Nine Inch Nails. Mas a pandemia do coronavírus aconteceu, e o estúdio decidiu mudar o título para “Wolfstride” — “passo de lobo” na tradução livre, o que conversa diretamente com a personalidade do protagonista Shade.

Influências e mais influências!

“Tentei colocar tudo que eu absorvi durante a minha vida inteira”, é como Ota descreve as influências que ajudaram Wolfstride a tomar forma.

No entanto, a principal delas foi acidental: o clássico Cowboy Bebop. O desenvolvedor explicou que não tinha intenção de se inspirar no anime, mas que acabou acontecendo naturalmente, já que é uma de suas obras favoritas.

Cowboy Bebop é uma das poucas obras que diz a verdade sobre a vida e, apesar dos problemas, tudo é mais bonito por ser exatamente como é. E eu espero que um dia eu consiga fazer algo que toque as pessoas como esse anime me tocou. Então não foi uma referência que eu escolhi, simplesmente não consegui me livrar dela.”

Mas Bebop não foi o único anime que serviu de inspiração. Redline também foi referência para a criação da arte e de Duque, e também há um pouquinho de Yu Yu Hakusho e Os Cavaleiros do Zodíaco na trama de Wolfstride.

As telas de combate são estilosas e focam nos robôs, mostrando toda a grandeza (até de forma literal) das mechas

As lutas entre robôs são baseadas em combate por turnos, que foi construída como uma versão simplificada do clássico Final Fantasy Tactics, dentro do universo mirabolante de Wolfstride. Além de contar com uma pequena dose de inspiração em Persona 4.

Ota ainda contou que, para relaxar durante o desenvolvimento do game, procurou algo diferente de sua rotina. Até que encontrou os k-dramas, os dramas coreanos. O resultado não foi outro: muito dos k-dramas também foram parar nas entrelinhas do jogo!

“Os diálogos, os personagens e aquela vibe inocente (principalmente dos romances) é algo que me cativou muito. Os k-dramas que mais me influenciaram foram Reply 1988 e Hospital + Playlist. Eles sempre tinham cenas com os personagens só interagiam entre si, jogando algo ou falando sobre qualquer coisa. E isso influenciou demais a escrita do jogo.”

Uma identidade monocromática

Wolfstride é um jogo com uma estética totalmente monocromática — ou seja, em preto e branco.

E há um motivo curioso por trás da escolha: os principais desenvolvedores, Ota e seu irmão, Paulo, são daltônicos, o que tornava a tarefa de colorir as animações mais trabalhosa. Então, para maximizar o tempo de produção da pequena equipe e, ao mesmo tempo, colocar identidade ao projeto, decidiram usar apenas as cores preto e branco.

“Eu sou daltônico e estava cansado de pintar pessoas de verde por acidente”, explica Ota, sem deixar o humor de lado. “Meu irmão também é daltônico, e ele foi responsável pelas animações. Como éramos só nós dois trabalhando no projeto no começo, essa decisão agilizou muito. E eu sabia que se fizéssemos isso certo, poderia virar nossa identidade como artistas”.

Wolfstride foi lançado nesta terça-feira (7) e já está disponível para PC.

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