Concrete Genie | Review

Uma experiência divertida e leve com um enredo que estimula a empatia

Priscila Ganiko Publicado por Priscila Ganiko
Concrete Genie | Review

Em 2017, durante a Paris Games Week, a Sony revelou o jogo Concrete Genie com um trailer cativante que apresentava Ash e seus amigos desenhados na parede. Lembro-me de ter assistido ao vídeo e ter me empolgado com o jogo, que tinha a data de lançamento prometida para 2018. O ano passou, outros lançamentos vieram e o título sumiu do marketing da empresa. Só em março de 2019 Concrete Genie reapareceu, com a promessa de chegar ao PlayStation 4 ainda neste ano.

E chegou!

O jogo conta a história de Ash, um garoto solitário que sonha em ver sua cidade, Denska, revitalizada. Boa parte da população local se mudou após uma série de desastres assolarem a cidade, mas o jovem não está pronto para desistir do local.

Apaixonado por arte, ele possui um caderno no qual desenha criaturas místicas que lhe fazem companhia. Zombando do passatempo de Ash, um grupo de bullies resolve destruir o caderno, soltando todas as páginas e deixando o vento espalhá-las pela cidade.

Perseguindo as páginas, o protagonista se vê no farol da cidade, onde tem um encontro inesperado e consegue um pincel mágico. O pincel dá a ele a possibilidade de desenhar na parede, e o garoto vê suas criações ganharem vida, sejam elas paisagens, flores, ou até mesmo os Gênios que o ajudam a resolver os quebra-cabeças que aparecem em seu caminho para recuperar a vida de Denska.

Uma mecânica diferenciada de Concrete Genie está na hora de ilustrar as paredes. O jogador deve usar os controles de movimento do DualShock para fazer os desenhos e escolher onde cada elemento vai ficar, ou para enfeitar seu gênio com chifres, orelhas e rabos. A criação é divertida e possui uma boa quantidade de opções, que vão sendo multiplicadas ao longo do jogo. Embora os controles de movimento possam causar um estranhamento inicial, não demora muito até que o jogador se acostume com a ideia, e pintar torna-se algo natural.

Ver os monstrinhos se movimentando, interagindo e correndo pelas paredes é genuinamente legal, e me deixou com um sorriso no rosto por quase toda a jogatina. Foi interessante revisitar áreas já finalizadas e observar minhas criações anteriores — bastava ficar um tempo cercada pelas paredes nuas e escuras que eu praticamente esquecia das paisagens coloridas dos outros lugares. O game conseguiu evocar o mesmo deslumbramento de Como Treinar Seu Dragão e de alguns outros títulos animados; uma espécie de magia Disney também.

O enredo também bebe da mesma fonte das animações desses estúdios — a história funcionaria muito bem caso fosse um longa metragem, embora perdesse o charme de poder construir seu próprio gênio e vê-lo ganhar vida. Os poucos personagens de Concrete Genie poderiam ser mais profundos e melhor explorados, mas funcionam na experiência do jogo e em suas interações com o protagonista.

Essas interações se intensificam no terceiro ato, que traz mudanças marcantes para a jogabilidade. Fui pega de surpresa e foi então que o jogo superou minhas expectativas, oferecendo um novo olhar sobre algo com o que já estava acostumada após algumas horas imersa naquele universo. A duração da experiência é ideal, em cerca de seis a sete horas de duração, e não se alonga desnecessariamente ou chega a um fim abrupto, podendo capturar a atenção de crianças e encantar adultos sem cansar.

Outro ponto positivo na hora de apresentar Concrete Genie para crianças é sua dificuldade. É um jogo que possui um nível básico de desafio, mas nada muito pesado, e que conta com opções para torná-lo ainda mais fácil — ou mais difícil.

Lá em 2017, quando dei a notícia sobre o anúncio do jogo, estava ansiosa para testá-lo, e, agora que finalmente joguei, posso dizer que ele atendeu minhas expectativas e ainda me surpreendeu. Concrete Genie é uma experiência divertida e leve com um enredo que estimula a empatia, a criatividade e, claro, o amor por monstrinhos.


O review foi feito com uma cópia cedida pela Sony, em um PlayStation 4.