Como Lila Cruz, artista e empresária, transformou seu Instagram em um negócio rentável

Artista baiana tem mais de 100 mil seguidores no Instagram, dá palestras e montou uma loja com uma linha de produtos de criação própria

Pedro Duarte Publicado por Pedro Duarte
Como Lila Cruz, artista e empresária, transformou seu Instagram em um negócio rentável

Lila Cruz é de Salvador, mas mora em São Paulo. É jornalista, mas atualmente trabalha contando suas próprias histórias no Instagram e em seus livros. Até encontrar o caminho como artista, foram muitas tentativas dentro da profissão: auto publicação, financiamento coletivo, participações em eventos (como expositora e palestrante), etc. Testes que a fizeram ganhar experiência e entender qual trajetória profissional seguir.

Então, como se já não fizesse coisas o suficiente, ela também se tornou empresária de si mesma, com uma linha de produtos criada a partir de seus desenhos.

Lila Cruz (Foto: Divulgação)

No Instagram, com mais de 100 mil seguidores, há postagens periódicas sobre problemas enfrentados pela atual geração e também, de certa forma, sobre sua vida: “Acho que me acostumei, porque meus quadrinhos sempre foram autobiográficos, a maior parte das minhas referências vem de HQs autobiográficas. Eu só tento colocar um limite entre o que compartilho e o que continua sendo privado”, conta Cruz.

E quem não está com saudade? (Imagem: Reprodução Instagram)

Há cerca de três anos, Lila Cruz, junto com o marido, decidiram mudar para São Paulo. Uma escolha que refletiu diretamente na carreira, mas que também mostra como, apesar de termos muitas possibilidades, com o trabalho remoto, o Brasil ainda mantém uma certa “barreira geográfica” em relação a produção artística:

“Infelizmente vir pra São Paulo influenciou muito no rumo que a minha carreira tomou. Digo ‘infelizmente’ porque preferiria que a gente não precisasse de êxodo para crescer na carreira, ainda mais em 2020. Eu dou muita força para amigas artistas que se mantêm em Salvador, acredito que aos poucos o mercado está mudando e também estamos muito mais abertos pra falar sobre os bairrismos do mercado, o que está favorecendo artistas do Norte e Nordeste. (…) Eu cresci muito como profissional quando me mudei, mas gostaria que a gente não dependesse de vir para São Paulo para conseguir trabalhos”, explica Cruz.

Nos stories, sempre opina sobre política e questões sociais diversas. Dizem que isso afasta seguidores e oportunidades, por isso, perguntei sobre a decisão de se posicionar publicamente: “Eu perco seguidor todos os dias, hahahaha. Mas quem fica também já sabe quem eu sou politicamente falando, e quem chega já vê logo. Não gosto do fato de que a nossa geração está muito mais preocupada com ‘sua marca na internet’ do que com o que está acontecendo no país”, conta.

“Vejo pessoas se posicionando só quando são forçadas a fazer e acho isso triste. Acho que ninguém é obrigado mas, ao mesmo tempo, construir consciência política é essencial. Fora isso, eu não quero que o número de seguidores defina minha carreira. Gostaria — e estou trabalhando pra isso — de ser independente da quantidade de seguidores que tenho nas redes sociais”, completa.

Com a loja online a todo vapor e uma segurança maior sobre seu traço e personalidade como artista, perguntei sobre o que diria para à Aline do passado:

“Nossa, eu diria CALMA MINHA FILHA. Diria que as coisas não são fáceis mesmo, são demoradas e que a gente não faz sucesso do dia pra noite (e às vezes nem faz sucesso mesmo). E não adianta: qualquer coisa com a qual a gente quer trabalhar, tem que estudar. Não vai dar pra fugir disso. Você vai estudar até o fim da vida. haha. E outra coisa: ser empreendedor não é a solução de todos os problemas do universo. Trabalhar com desenho pode ser muito legal mas igualmente chato. Não idealize demais outras profissões enquanto é jornalista. Trabalhar é chato mesmo. :D”

Há cerca de uma semana, Cruz lançou mais um produto na loja, a pré-venda de Pequeno Livro de Felicidades. Além do livro, há canecas, camisetas, planners, adesivos, “fofuras” em geral. Foi uma das formas de tornar toda a visibilidade que tem nas redes sociais em um trabalho financeiramente viável (afinal, seguidor não paga boleto diretamente.)

O processo de criação e de descoberta de uma linguagem própria leva tempo. Se acima, Cruz falou sobre ter calma (“CALMA MINHA FILHA”, gritado assim mesmo!), fica o recado para quem produz, pensando em agradar somente aos algoritmos das redes sociais: “Estude, construa sua base, um trabalho sólido. Porque aí as redes sobem e descem, mas você continua.”

Você pode conferir o trabalho de Lila Cruz no Instagram e na loja virtual.