Cocriador do Justiceiro gostaria de cancelar todas as HQs de super-heróis existentes

Gerry Conway falou sobre a dificuldade de grandes editoras de quadrinhos de atraírem novos leitores

Fernanda Talarico Publicado por Fernanda Talarico
Cocriador do Justiceiro gostaria de cancelar todas as HQs de super-heróis existentes

Gerry Conway, cocriador do Justiceiro, usou o seu Twitter pessoal para dar a sua opinião sobre o atual cenário das publicações de quadrinhos. O artista disse acreditar que a indústria está enfrentando sérios problemas e que este modelo “não tem futuro”.

Ele fala sobre o porquê de, mesmo com tanto impacto na cultura pop causado pelos quadrinhos, grandes editoras, como Marvel e DC, passam por dificuldades ao tentar achar novos leitores para as suas histórias. Para Conway, a resposta para este caso envolve uma questão mercadológica.

Minha resposta básica é: estão buscado o público errado. E têm feito isso, um desespero crescente, desde o final dos anos 1970.

O quadrinista entende que o público convencional, no qual essas mesmas editoras estão focadas, tem diminuído constantemente. “Por uma variedade de razões que se auto-impõem, os editores definiram o público principal para os quadrinhos convencionais como, na verdade, fãs de longa data e colecionadores em potencial”, diz ele.

Conway explica que a estratégia adotada, de lançamento de colecionáveis, capas variantes, diferentes arcos e outros exemplos, são “exclusivamente” para atrair leitores já existentes.

Até mesmo os reboots, aparentemente destinados a oferecer pontos de “abertura” para novos leitores, na verdade, pedem familiaridade com iterações anteriores para criar algum interesse. Novos leitores não são bem-vindos pela estratégia criativa existente nas duas principais editoras. Se há alguma novidade, novos leitores são ativamente desencorajados pela busca frenética das editoras por leitores já existentes e motivados. O clube está fechado. Fique fora.

Segundo o artista, os editores discordarão de sua análise e dirão que estão sempre tentando criar conteúdo para novos leitores. Mas, para ele, não há mais a tentativa de atrair um novo público, pois antes, o foco eram as crianças, entre 9 e 13 anos, mas elas cresceram e continuaram a ser os consumidores de quadrinhos. Conway, então, entende que as editoras moldaram os seus conteúdos para continuarem a fazer sentido para estes mesmos leitores, agora mais velhos.

A solução, para o quadrinista, seria cancelar todas as atuais HQs de super-heróis existentes atualmente, e publicar novos títulos para os jovens leitores, com personagens e histórias mais simples, além de eliminar arcos e eventos que dependessem de conhecimentos prévios.

Para os leitores já existentes, eu ofereceria uma linha de quadrinhos separada e mais cara, com quaisquer histórias expandidas para adultos que desejam explorar. Mas isso seria separado. Não mensal. Não seria o convencional.

Ao fim, Conaway fala que o atual posicionamento das grandes editoras está em um beco sem saída atualmente, pois continuam perdendo oportunidades com um público maior que existe, mas que não está sendo recebido por elas.