Cinemark emite comunicado após exibição de documentário sobre golpe de 1964

Filme acusado de ser "pró-ditadura" será lançado no YouTube, mas foi exibido antes nos cinemas

João Abbade Publicado por João Abbade
Cinemark emite comunicado após exibição de documentário sobre golpe de 1964

Após a exibição de um documentário sobre o golpe de 1964 em algumas de suas salas, a rede de cinemas Cinemark emitiu um comunicado e se pronunciando sobre o evento que comemorou a tomada de poder pelos militares há 55 anos. “Não autorizamos em nossos complexos a divulgação de mídia partidária tampouco eventos de cunho político”, lê-se um trecho do texto divulgado nas mídias sociais da empresa.

A Cinemark alega que a exibição do filme em múltiplas salas se deu devido a um “erro de procedimento” causado pelo desconhecimento acerca do tema do evento. A exibição do filme intitulado como 1964, o Brasil entre armas e livros aconteceu mediante ao aluguel de salas da rede — no passo em que a empresa aponta que não teve qualquer envolvimento com a produção do evento em si.

O comunicado brando e sem pedir desculpas pelo evento gerou ainda mais revolta nas redes e comentários do tuíte publica das mídias sociais da rede. Leia o comunicado abaixo:

Além da rede de cinemas, os Shoppings em que os filmes foram exibidos, também estão emitindo comunicados sobre o acontecimento. O Pátio Savassi, em Belo Horizonte, por exemplo, ressaltou que o evento é de responsabilidade da rede Cinemark — “que é operador e locatário das salas de cinema no Shopping”.

O que é o filme 1964, o Brasil entre armas e livros?

O documentário 1964, o Brasil entre armas e livros traz um retrato do golpe com declarações e análises de figuras polêmicas como o ideólogo Olavo de Carvalho, o jornalista demitido da Globo William Waack e Alexandre Borges.

Apesar dos criadores do filme não falarem abertamente dele como um longa “pró-ditadura”, muitos eventos de exibição da obra continham dizeres afirmando que o filme fazia parte de uma “Comemoração a 1964”, como na imagem abaixo.

O filme será lançado no YouTube essa semana, mas foi exibido em cinemas específicos no aniversário do golpe de 1964.

A produção do filme também é envolta em polêmicas, já que o documentário é assinado por Lucas Ferrugem, Henrique Viana e Felipe Valerim — os três fundadores do site Brasil Paralelo — que divulgou informações falsas sobre as urnas eletrônicas durante as eleições presidenciáveis de 2018.

Apesar do Cinemark não ter relação com as exibições, várias salas em que longa foi exibido fazem parte da rede: em Belo Horizonte foi no Cinemark do Shopping Pátio Savassi e no Recife no RioMar Shopping; também do Cinemark, por exemplo.