Call of Duty: Modern Warfare | Review

Repaginação dos personagens e jogabilidade sólida trazem novo ânimo à franquia

Jeff Kayo Publicado por Jeff Kayo
Call of Duty: Modern Warfare | Review

Assim que larguei o controle após o término do último ato de Call of Duty: Modern Warfare, a sensação foi a de ter sido atropelado na ida e na volta pelo trem do hype. Uma campanha completamente guiada pela narrativa, com personagens que a gente vai se apegando aos poucos e até lembra do nome deles no final da aventura. Fazia tempo que uma campanha de jogo de tiro em primeira pessoa não me prendia tanto.

Modern Warfare é um reboot da franquia original. Desenvolvido pela Infinity Ward, teve a ajuda também da Beenox, Raven Software e High Moon Studios, quase todo mundo que trabalha sob a bandeira da Activision. Praticamente tudo que foi construído até aqui em termos de história e personagens foi deixado de lado, com exceção do Capitão Price, agora interpretado pelo ator inglês Barry Sloane (Aiden Mathis, em Revenge), emprestando voz e rosto ao personagem.

Receita antiga

Lá no começo da sua existência, Call of Duty entregava uma campanha para um jogador como poucos. Com o pano de fundo das guerras reais, os roteiristas criaram histórias pessoais, às vezes inspiradas em filmes de guerra populares da época — quem não se lembra da batalha de Stalingrado do primeiro jogo, uma representação quase fiel do filme Círculo de Fogo (Enemy at the Gates, não o de robôs) –, com muita ação e pouca liberdade de exploração.

A famosa ação sob trilhos continua sendo a base principal da campanha de MW, mas como uma escolha, e não uma limitação. E apesar de manterem certas semelhanças com os conflitos mundiais recentes, há uma certa liberdade na apresentação de fatos históricos, como foi o caso de um tweet viralizado que aponta a incongruência durante a missão Highway of Death, a qual a protagonista aponta os russos como os responsáveis das mortes no local, e não os americanos.

Definitivamente não era o intuito arriscar nada nesse aspecto. A ideia dos trilhos sempre funcionou dentro da franquia e desta vez a Infinity Ward fez questão de se livrar, inclusive, dos colecionáveis do meio das fases, algo que instigava um falso senso de exploração dentro da campanha e não trazia benefício algum ao todo.

O que mais mudou no novo MW em relação aos anteriores é a apresentação dos personagens jogáveis como figuras importantes dentro de todo o contexto. Eles criam um elo sólido com o jogador e de vez em quando, as escolhas (que acabam não influenciando a história diretamente) tendem a afetar o jogador de alguma maneira.

São dois personagens jogáveis, Alex (Echo 3-1, interpretado por Chad Michael Collins) e Kyle Garrick (Bravo 2-6, interpretado por Elliot Knight), cada um com sua própria história de origem. Alex era um ex-agente da CIA que agora faz parte da Força de Liberação Urzikistã, enquanto Kyle decide entrar para o grupo especial do Capitão Price por achar que “respeitar as regras quando os terroristas não respeitam” é um erro. Kyle, inclusive, passa por algumas decisões morais (pelos olhos do jogador) que são interessantes, mas não interferem diretamente em nada do jogo, o que é uma pena.

Quem rouba a cena, no entanto, é Karim Farah, a líder da Força de Liberação Urzikistã. Junto do seu irmão, ela precisa se defender de facções terroristas do seu próprio país, da invasão russa liderada por Roman Barkov e também das incertezas dos seus aliados que, de vez em quando, a enxergam como uma terrorista também.

Tiros para todo o lado

A ação encontrada em Modern Warfare é ininterrupta. É tanto tiro voando que faz a gente prender a respiração e ficar tenso assim como os personagens do game. Além do campo de batalha, passamos por algumas situações de risco em lugares poucos propícios: a estação de Picadilly Circus, em Londres ou a Embaixada Americana do Urzikistão.

Nesses dois casos há a preocupação de não acertarmos civis no meio do tiroteio, ou enquanto fugimos de um homem-bomba ensandecido. É muito parecido com a sequência do aeroporto de Modern Warfare 2, mas com uma atenção extra para os detalhes.

A história tem um ritmo diferente da encontrada em Battlefield V, por exemplo. Ela acontece de forma mais rápida, tem menos brechas entre momentos de avanço. Com certeza por causa de um mapa mais enxuto, que o leva ao seu destino sem exigir muito direcionamento. A campanha de MW é quase como uma vitrine do jogo, de uma forma ou de outra ela acaba te apresentando às coisas que realmente importam naquele mundo.

Visualmente está impecável. Graças à uma nova tecnologia aplicada às texturas de cenário, iluminação e visuais dos personagens, parece que estamos jogando algo de uma geração à frente. Mesmo no PlayStation 4 normal tudo parece mais bonito do que deveria ser.

Claro que no PC ainda temos opções como ray tracing para mapear a iluminação em tempo real, entre outras coisas, mas os jogadores conseguem ter uma experiência bastante satisfatória nos consoles.

Chame seus amigos e vá para o multiplayer

Modern Warfare conta com aquele multiplayer que você já conhece. Inclusive com novos modos, um deles já demonstrado para a galera que teve acesso ao beta do jogo, experimentou um combate dois contra dois chamado Gun Fight. Rápido e de múltiplos rounds, esse modo coloca o jogador ao lado de um amigo para enfrentar outra dupla.

No Ground War você encara uma batalha entre times de até 32 jogadores cujo objetivo é dominar e manter seus territórios. É um modo que lembra bastante as disputas que acontecem em Battlefield, inclusive com veículos à sua disposição, mas sempre com aquela correria característica do multiplayer de Call of Duty.

Há também um modo focado em times menores e que tenta entregar um desafio mais realista. Este, no caso, é graças à limitação de HUDs e barras de localização. Aqui você não tem minimapa para te guiar. É preciso andar pelos prédios e atravessar ruas sem saber o que encontrará pelo caminho. O equipamento também varia a cada respawn, deixando as coisas um tanto desafiadoras.

O Free-For-All todo mundo conhece, né? O clássico mata-mata, onde ninguém é de ninguém e os novatos se ferram. Por falar nisso, um problema que vem sendo reportado pelos jogadores diz respeito àqueles jogadores que ficam perto dos pontos de respawn de cada mapa, eliminando cada um dos jogadores que voltam à vida depois do abate. É meio que um exploit do game e as pessoas vão abusar disso até que o problema seja corrigido. Se é que isso acontecerá algum dia.

Além do competitivo, Modern Warfare retorna com o clássico Spec-ops, missões espeicais que dão continuidade à história principal sem causar nenhum tipo de spoiler ao jogador que não tiver terminado a campanha.

As missões do Spec-ops são longas e devem ser jogadas em equipes de até quatro jogadores. Se o time estiver completo, melhor para você, pois o desafio é real. Morrer no meio da missão significa ter que recomeçar tudo de novo (ou do checkpoint, que vem após uns 30 minutos de jogo).

E não podemos esquecer do modo Survival, onde o jogador enfrenta ondas de inimigos e precisa acumular pontos para trocar por vantagens e novas armas durante o percurso. O tempo entre cada onda é super curto e você será obrigado a sempre escolher entre trocar de equipamento ou se equipar com vantagens específicas, nunca ambos, pois cada um dos locais para a troca de pontos estão localizados um em cada ponta do mapa.

O sistema de nível aos poucos vai destravando toda a parte de personalização do jogador. Novas armas, novos acessórios e novas classes são liberadas sempre que certos níveis são alcançados. Além do nível de jogador, CODMW exige que você evolua também a sua proficiência com determinado equipamento. Cada nível de equipamento destrava mais itens de personalização, de silenciadores a miras ópticas.

São duas facções que podem ser escolhidas, cada uma com seus representantes, que pasmem, também precisam ser liberados à medida que você avança no multiplayer e sobe de nível. A estrada é árdua, mas vai lhe recompensar.

Call of Duty é uma dessas franquias distribuídas anualmente que a cada ano vão se tornando mais e mais desgastadas. Anestesiado, o jogador cumpre o seu papel, mesmo desanimado, e compra o novo game da franquia, fazendo a sua parte na grande engrenagem do mercado de videogames. Os três anos de hiato que a Infinity Ward precisou para lançar um novo Modern Warfare parecem ter valido a pena. A jogabilidade sólida se mistura perfeitamente com a repaginação dos personagens icônicos da franquia, e tudo indica que os próximos jogos virão igualmente interessantes.


Call of Duty: Modern Warfare está disponível para Playstation, Xbox e PC. Esse review foi feito com uma cópia cedida pela Activision.