Bumblebee | Crítica

O simpático fusca e a ranzinza Charlie protagonizam um ótimo recomeço para franquia Transformers

Pedro Duarte Publicado por Pedro Duarte
Bumblebee | Crítica

Bumblebee é um filme diferente de qualquer outro da franquia Transformers nos cinemas. As cenas de ação com robôs gigantes lutando e explodindo coisas estão lá, mas não são o centro das atenções. Há uma história envolvente, uma protagonista que convence e o cenário, nos anos 80, é divertido e bem feito, usando os elementos da época na medida certa.

A história do soldado B-127, que se tornaria o carinhoso Bumblebee, é contada de forma simples, em um roteiro com todos os elementos que já vimos muitas vezes, mas bem executado, respeitando a inteligência do público como há muito tempo a franquia não o fazia. A trama da protagonista, Charlie (Hailee Steinfeld), sobre a busca pela própria liberdade e a aceitação de uma família que ela acredita não ser mais a dela, tem uma premissa adolescente comum, mas rende alguns sorrisos, com o irmão mais novo, Otis (Jason Drucker), e o padrasto bem intencionado Ron (Stephen Schneider). Steinfel faz muito bem o seu papel e entrega uma adolescente teimosa, rebelde e que gera empatia assim que aparece na tela.

E há também o romance juvenil (com um desfecho interessante), os vilões de sempre, que são só maus e querem conquistar tudo sem mais explicações, um clímax cheio de emoção e superação pessoal dos mocinhos, um final com uma trilha sonora marcante e uma lição de que tudo vai dar certo: ou seja, a estrutura ideal de um filme que planeja agradar a todos.

A direção de Travis Knight (Kubo e as Cordas Mágicas) consegue trazer emoção e um lado humano ao robô, que era, antes de tudo, uma máquina de guerra, uma bola de fogo vinda do espaço, fugindo de toda a destruição de Cyberton, com a missão de montar uma base para uma resistência. As transformações de Bumblebee também são um ponto positivo e uma evolução na franquia. Realistas, na medida do possível, mostram as peças do carro e os passos entre ser um fusca e um robô humanoide, e o aproxima do público.

As cenas de ação, no entanto, alternam boas perseguições de carro com lutas simples demais, que deixam de explorar o potencial de uma batalha entre as máquinas gigantes. Além disso, muitas sequências parecem existir para mostrar as diferentes opções de bonecos disponíveis da fabricante de brinquedos por trás do longa, o que torna as batalhas repetitivas e cansativas — e também criam o momento ideal para comer pipoca, quando só resta esperar pelo avanço da trama.

Bumblebee alcança todas as gerações: aquela que curtiu as explosões que caracterizaram os últimos dez anos da franquia; os mais velhos que viram Transformers na TV nos anos 80; e uma nova geração, que acaba de conhecer a franquia, através do olhar simpático e perdido do robô que era um fusquinha amarelo. O longa não economiza esforços para manter a censura livre: as armas transformam as pessoas em um tipo de meleca (estão mortos, mas não fica tão feio na tela). O humor é leve, aproveitando bastante as tentativas frustradas do robô de se adaptar ao novo planeta, e brinca com as músicas e com os objetos da época — o que, com certeza, gera curiosidade nos mais novos e se torna um ótimo assunto para o papo entre gerações, depois da sessão.

Após mais de uma década de explosões, muita computação gráfica e pouco espaço para envolvimento real com algum personagem, Bumblebee é um ótimo filme para os mais novos conhecerem o universo de Transformers e o recomeço ideal para a franquia.