Borderlands 3 | Review

O terceiro jogo é a experiência definitiva para quem é fã do gênero loot'n'shoot

Tayná Garcia Publicado por Tayná Garcia
Borderlands 3 | Review

Borderlands ficou conhecido com o passar dos anos como uma franquia de jogos FPS que são praticamente diversão garantida com os amigos, além de popularizar o gênero loot’n’shoot, mostrando que a adoração por espólios não é exclusiva dos RPGs.

Agora, o terceiro capítulo da saga principal entrega tudo que já vimos nos antecessores, mas mostra que aprendeu com o feedback dos jogadores e entrega uma experiência melhor, mais equilibrada e divertidíssima para quem já é fã ou até quem quer entrar para esse universo insano.

As principais diferenças começam já nas mecânicas básicas. Os movimentos das armas e da mira estão mais suaves, a interface foi ampliada e é possível escalar e deslizar (e atirar ao mesmo tempo!).

Tudo isso deixa o sistema de combate mais dinâmico e variado, diminuindo bastante o risco da repetição do jogo cair em monotonia — algo que já vi afastar muitas pessoas.

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Deslizar e escalar para derrotar os inimigos é uma delícia!

Um mundo maior e mais consistente

Comparado aos seus antecessores, Borderlands 3 teve uma queda imensa na quantidade de side quests. Mas isso não acabou sendo algo ruim, muito pelo contrário.

Com um volume menor, os desenvolvedores puderam se concentrar mais no conteúdo delas, entregando missões que não estão ali apenas para “encher linguiça”. Todas são bem estruturadas, podendo contar uma anedota bizarra ao estilo clássico da franquia ou até mesmo agregar algo à história.

Outra consequência dessa diminuição é a presença de atividades opcionais espalhadas pelo mapa, como encontrar peças de Claptraps destruídos, escutar gravações perdidas do primeiro Vault Hunter ou desativar torres de sinal — o que garante puzzles de escalada divertidos.

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O mapa é uma das “melhorias” negativas. Ele tenta ser 3D para ajudar, mas só atrapalha!

Em termos de história, o game se foca mais na ação do que na própria narrativa, mas não deixa de expandir o universo e explorar personagens de outros títulos da saga, como Rhys e Azelia Hammerlock, além de introduzir os novos vilões: os gêmeos Calypso e seus seguidores insanos — que não se equiparam ao Handsome Jack e sua Hyperion, mas você vai odiá-los quase da mesma maneira!

Os novos Vault Hunters

Assim como os jogos antecessores, Borderlands 3 tem quatro personagens jogáveis, os chamados Vault Hunters — ou Caça-Arcas, se preferir. São eles: Moze, a Atiradora; Amara, a Siren; Zane, o Agente; e FL4K, o Domaferas.

Cada um tem suas próprias habilidades, aqui denominadas de Técnicas. Elas são adquiridas ao passar de nível e divididas entre três árvores distintas, sendo possível moldar a build do jeito que desejar.

Prefere ser um suporte para curar os amigos? Basta fuçar as árvores e escolher o que mais te agradar. Se quiser uma build híbrida, com habilidades de suporte e dano por exemplo, também é possível (e até recomendado!).

A mesma ideia se aplica à habilidade suprema, que foi ampliada e oferece mais opções para o jogador escolher. Isso porque dá para selecionar aptidões especiais que aparecem nas laterais das árvores, que mudam substancialmente o poder principal do personagem.

O supremo de Moze faz com que ela entre em sua mecha, o Urso de Ferro, e possa atirar nos inimigos com duas metralhadoras enormes. Conforme a montagem da árvore, o jogador pode acoplar um lança-foguetes, aplicar algum elemento ou até mesmo colocar um assento a mais para um amigo poder entrar na máquina.

Amara consegue invocar braços etéreos ou até mesmo uma projeção astral, tendo uma jogabilidade mais rápida e de curta distância. E, por ser uma Siren, suas habilidades são muito fortes quando combinadas com elementos.

Zane é um personagem com habilidades que ajudam bastante no suporte, graças à sua barreira energética e também ao seu poder de criar uma sósia que consegue distrair os inimigos.

Por fim, o caçador FL4K tem um animal de estimação como parceiro dependendo da árvore escolhida. Ele pode ter um Skag, uma Spiderant ou um Jabber (armado com uma pistola!). As suas habilidades são variadas, que vão desde invisibilidade até um poder de invocar Rakks para atrapalhar inimigos. Por ser muito poderoso, ele é uma boa escolha para quem pretende jogar sozinho.

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Exemplo de uma build híbrida sendo construída com a Moze

Como era de se esperar, a experiência fica ainda melhor no cooperativo. Isso porque quanto mais jogadores, o combate fica mais variado, sendo possível combinar habilidades e elementos para derrotar os inimigos mais facilmente. Além de, claro, ser muito mais divertido ter alguém com você para rir das piadas escrachadas do jogo.

Com a repercussão dos antecessores, os desenvolvedores perceberam que o multiplayer é um dos pontos fortes de Borderlands, então se esforçaram em aumentar a acessibilidade com um modo mais fácil e ainda adicionaram opções para distribuir melhor o loot entre os jogadores. O grupo pode escolher Cooperação para que todos recebam os mesmos espólios ou Competitividade para tudo ficar com quem viu primeiro.

Já que estamos falando sobre loot, vale destacar que o sistema permanece o mesmo. A maioria dos inimigos dropam armas, escudos, granadas e artefatos comuns e raros, mas equipamentos épicos e lendários podem ser adquiridos em missões, baús especiais ou até nas máquinas do Marcus.

Se você quiser espólios ainda melhores, pode tentar a sorte com as chaves douradas que abrem o baú especial do Santuário, que podem ser adquiridas por meio de códigos especiais chamados SHiFT Codes. Mas vale avisar que isso exige um esforço fora do game.

Os espólios não se resumem às armas aqui, isso porque a customização foi expandida e vai agradar os fãs de emotes e das skins mirabolantes. Apesar do sistema ainda ser meio limitado, parece que as opções do primeiro Borderlands foram misturadas com Borderlands 2, o que significa que o jogador pode escolher a roupa e ainda mudar as cores como bem desejar. Ah, e os pingentes para as armas são um charme à parte!

Mais Borderlands, mas sem inovação

No fim, Borderlands 3 mantém a fórmula da franquia e prova que manter o time que está ganhando não é algo necessariamente ruim, se for bem feito.

Os seus maiores diferenciais ficam com aprimoramentos de sistemas e uma trama que expande o universo da franquia como nenhum dos outros jogos conseguiram, mas sem tentar se reinventar. Porque, na verdade, nem precisa!


Borderlands 3 está disponível para PC, PS4 e Xbox One até o momento. Este review foi feito com uma cópia para PlayStation 4 cedida pela 2K.