BattleBots | Equipe brasileira massacra robô nos EUA

RioBotz é a primeira equipe brasileira no programa

Pedro Duarte Publicado por Pedro Duarte
BattleBots | Equipe brasileira massacra robô nos EUA

O vídeo do programa BattleBots, da emissora norte-americana ABC, viralizou no Facebook: são mais de 18 milhões de views e mais de 300 mil compartilhamentos. O registro mostra uma batalha insana entre os robôs BlackSmith e Minotaur. O que algumas pessoas não sabem é que o robô vencedor, o Minotaur, é brasileiro!

A RioBotz, equipe de robótica do Centro Técnico Científico da PUC-Rio, participou das gravações do BattleBots e é a primeira equipe de língua não-inglesa a participar da competição – contra 56 rivais.

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Conversamos com o Prof. Marco Antonio Meggiolaro, coordenador da RioBotz, que falou um pouco sobre a estratégia do time, da repercussão de competir em um torneio internacional e muito mais! Confira:

Jovem Nerd News: No começo da luta, vimos que o robô adversário é maior, com uma espécie de “martelo” no topo, uma aerodinâmica (me corrija se eu estiver errado) aparentemente feita para virar o Minotaur de cabeça pra baixo. Mas aí o Minotaur surpreende e praticamente vira um caçador! Como foi a experiência? Foi uma “virada” de fato ou era uma estratégia de batalha?

Marco Antonio Meggiolaro: Estávamos seguindo nossa estratégia. O adversário Blacksmith possui uma rampa inclinada na frente que fica rente ao chão, e impede que o adversário entre por baixo dele para dar um golpe. Colocamos acessórios na frente do Minotaur para tentar passar por baixo desta rampa, mas no início estava difícil. Após conseguirmos entrar por baixo dele pela primeira vez, demos um golpe que já começou a danificar e desalinhar a rampa. Aí fomos com mais confiança, sabendo que seria mais difícil ele nos evitar indo de frente.

Ambos os robôs conseguem se descapotar caso sejam virados, por isso a luta seria tensa. Além disso, Blacksmith é o robô do Al Kindle, um dos mais famosos veteranos de combate, e que sabe construir um robô confiável que não para, por isso sabíamos que seria uma luta longa, que acabou durando os 3 minutos. Foi preciso o Minotaur explodi-lo no último segundo de luta para que ele finalmente parasse!

JNN: O vídeo da luta viralizou e as pessoas não sabem que tem uma equipe brasileira ali! E quando descobrem ficam fascinadas. Como é representar os profissionais, estudantes, nerds, geeks do país?

MAM: Orgulho gigante, pois além de mostrar que o Brasil pode ser bom de luta também com alta tecnologia, estamos mostrando que estudar também é divertido, especialmente quando entra o fator competição. A BattleBots transforma nerds e geeks em super-heróis, os eleva ao status dos grandes esportistas. Os robôs são uma extensão do corpo do piloto, mas com super poderes e super força.

Tudo isso sem ninguém se machucar, porque a arena é toda blindada. Muita gente se espanta ao descobrir que o Minotaur é brasileiro, nota-se nos comentários, mas muita gente já conhece a RioBotz e já desconfiava que esse pequeno monstro fosse criação nossa! Ele é o irmão mais pesado dos nossos Touros.

RioBotz é a primeira equipe de língua não-inglesa do programa
RioBotz é a primeira equipe de língua não-inglesa do programa

JNN: Como as batalhas ajudam no aprendizado, na carreira da equipe, de uma maneira geral? Imagino que haja um planejamento intenso, a montagem, escolha do material. Conta um pouco sobre os bastidores do Minotaur pra gente!

MAM: A RioBotz é um treinamento de trabalho em uma pequena empresa. Temos orçamento, cronograma, busca de componentes, construção, testes, trabalho em grupo, hierarquia com coordenadores das áreas de mecânica, eletrônica e inteligência computacional, além do produto final que é o robô, e o prazo que é o da competição. Os alunos aprendem com a mão na massa o know-how que complementa o know-why das salas de aula.

Muitas empresas elogiam e contratam os ex-integrantes da RioBotz, pois sabem que foram alunos que tiveram contato tanto com a teoria quanto a prática. O Minotaur teve que nascer muito rápido por questão de prazos para a gravação do programa, que foi em Los Angeles.

Em poucas semanas fizemos todo o seu desenho em 3D no computador, com um design baseado numa evolução dos nossos Touros. Alguns componentes fabricamos na PUC-Rio, outros tiveram que ser encomendados para serem fabricados externamente, mas de acordo com o nosso projeto.

A escolha de materiais é fundamental: o chassis é de alumínio para ser leve; o tambor, nossa arma feita com um cilindro de mais de 30kg girando a mais de 10.000RPM, é de aço temperado pra ficar bem duro e causar dano nos adversários; e nossa tampa contra o Blacksmith era de titânio, que aguenta muito bem os impactos do martelo dele.

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No final do projeto, os alunos aprendem sobre materiais, mecânica e eletrônica, e são expostos aos componentes (como motores e baterias) mais avançados do mundo, necessários para manter a competitividade.


Com a vitória, a RioBotz passou para a próxima fase do campeonato, que segue nos próximos sete episódios, um a cada quinta-feira, às 20h (horário dos EUA). Para sair campeão, é preciso vencer seis lutas consecutivas. Já foram duas vitórias para a RioBotz, primeiro contra o Photon Storm e agora contra o Blacksmith.