Bad Boys Para Sempre | Crítica

Em clima de reunião de família, o terceiro filme da franquia diverte e mostra que está muito bem sob nova direção

Fernanda Talarico Publicado por Fernanda Talarico
Bad Boys Para Sempre | Crítica

A reunião de uma família que não se encontra há muito tempo pode render momentos clichês, risadas, discussões e brigas. Às vezes, colocar todas essas pessoas juntas não parece ser uma boa ideia, mas há ocasiões – principalmente quando a distância é de muitos anos – que as diferenças ficam de lado e o encontro acaba funcionando muito bem. É exatamente esse sentimento, o de reunir os entes queridos, que fez Bad Boys Para Sempre, o terceiro filme da franquia criada por Michael Bay, em 1995, chegar na hora certa.

O primeiro longa, Os Bad Boys (1995) apresentou os detetives Marcus (Martin Lawrence) e Mike (Will Smith), da polícia de Miami, que nunca seguiam as regras: a história era divertida, mas mostrava características não muito bem vistas para o público atual, com piadas machistas e xenofóbicas. Em 2003, com Bad Boys II, Michael Bay trouxe uma trama ainda mais explosiva e ofensiva. Assim, tanto Bad Boys, como o diretor, teve o seu legado questionado. Ao anunciar um terceiro filme da saga, com novos cineastas no comando, a franquia teve a oportunidade de tomar outros rumos e, ao reunir a “família” novamente, mostrar o que aprendeu com o passar dos anos.

Dirigido pelos belgas Adil El Arbi e Bilall Fallah, Bad Boys Para Sempre teve a boa sacada de tirar Bay do comando mas sem negar a sua criação. Inclusive, Michael Bay aparece em uma cena do filme mostrando que parentes distantes ainda são bem-vindos nessa reunião – mesmo que por pouco tempo.

Com 17 anos de diferença, seria impossível fazer um filme sem amadurecer os seus personagens e é na maneira como Mike e Marcus são retratados que a produção mostra o seu valor. Neste longa, os dois estão mais fraternos do que nunca, ao mesmo tempo em que as suas diferentes personalidades estão escancaradas: Mike sente os malefícios da vida boêmia que sempre levou, enquanto Marcus pode finalmente deixar a violência de lado, se aposentar e aproveitar que se tornou avô. Assim, tanto Will Smith como Martin Lawrence entregam boas atuações, mesmo que haja momentos em que o roteiro abuse da suspensão de descrença.

Bad Boys Para Sempre traz a manda-chuva de um grande cartel mexicano Isabel Aretas (Kate del Castillo) e seu filho Armando (Jacob Scipio) procurado por vingança e, por motivos questionáveis, Mike está na mira da traficante. Neste ponto, é importante frisar que para aproveitar o filme é preciso comprar a ideia do enredo simples, que prioriza mais a ação e a diversão sem compromisso do que a verossimilhança. Não apenas por cenas de ação que vão contra as leis da física, mas também por uns acontecimentos mal explicados na trama, além de uma virada de roteiro descabida. Portanto, esse é um filme divertido, mas que só funciona para quem vai ao cinema justamente para se divertir, deixando o ceticismo de lado.

Novos personagens entraram para a família, como os policiais vividos por Paola Núñez, Vanessa Hudgens, Alexander Ludwig e Charles Melton. Eles não roubam a cena de Mike e Marcus, mas os novos rostos ajudam a colocar a franquia em 2020. Como um bom grupo que se reúne há muito tempo, pessoas de fora precisam de ajustes para se encaixarem bem e esse personagens novos fazem isso organicamente. Rita (Nuñez) é a chefe de um esquadrão tático que se importa com estratégia e deixa a porradaria de lado, gerando um conflito geracional e ideológico que oxigena a franquia e energiza o filme. As mulheres, por sua vez, têm papéis mais efetivos, não apenas como secretárias ou muletas para piadas, entrando de vez para Bad Boys e com lugares ainda mais importantes.

Bad Boys Para Sempre faz jus à frase repetida à exaustão nos três filmes da franquia: “nós andamos juntos, nós morremos juntos” mas, desta vez, ela é dita em uníssono por mais pessoas. Desde o genro de Marcus, aquele mesmo garoto de 15 anos que foi intimidado pelos dois personagens principais em uma das melhores cenas de Bad Boys II; até o capitão vivido por Joe Pantoliano, estrela de uma das decisões mais corajosas do roteiro neste longa.

O clima de retorno a uma franquia tão querida pelos fãs e a sua boa ambientação nos dias atuais são os componentes perfeitos deste encontro. E, ao final, o filme deixa claro que haverá um quarto capítulo desta história e e que essa família se encontrará novamente em breve. E, como em toda boa reunião de família, tudo pode acontecer.