Back 4 Blood | Review

Novo jogo cooperativo da Turtle Rock entrega uma experiência em que é preciso desligar o cérebro para dar alguns tiros e risadas

Tayná Garcia Publicado por Tayná Garcia
Back 4 Blood | Review

Desenvolvido pelo estúdio Turtle Rock, Back 4 Blood é um novo jogo cooperativo ao estilo FPS, que mistura elementos de terror e survival horror. Ele coloca até quatro jogadores para enfrentarem muitas hordas de zumbis de tamanhos e poderes variados, com o objetivo de sobreviver no meio do caos.

O título cumpre a promessa de oferecer porradaria com mortos-vivos, só que para por aí. E, com uma estrutura repetitiva e mal pensada, desperdiça muito do potencial que tinha para entregar uma experiência divertida e despretensiosa.

Mesmice sem cérebro

Servindo como sucessor espiritual do clássico Left 4 Dead, B4B conta com uma campanha dividida por quatro atos e com oito personagens jogáveis, sendo que cada um oferece armas e vantagens variadas, que funcionam como classes.

A campanha pode ser jogada sozinho ou em até quatro jogadores, e as duas maneiras de jogar são bem diferentes e apresentam problemas na prática. Mas antes, é preciso entender como a estrutura e a jogabilidade básica funcionam.

Os atos consistem em várias fases, que basicamente fazem o jogador andar do ponto A ao B enquanto estão com milhares de zumbis em seus cangotes. Algumas delas são levemente mais elaboradas e contam com objetivos, mas que são tão simples e não é preciso pensar muito para realizá-los, seguindo sempre a linha de “entregue pacotes”, “elimine ninhos” e “alcance o refúgio”.

A única maneira que o jogo tenta dificultar a conclusão dessas missões é não indicando o caminho que deve ser seguido, o que força os jogadores a explorarem o mapa, o que é uma faca de dois gumes: apesar de ser incentivado a ser curioso, dá uma leve dor de cabeça tentar fazer isso com tantos inimigos ao redor.

Um dos pontos fortes de B4B é o visual, que não economiza em sangue, gore e destruição. Os cenários passam um aspecto de que estão abandonados há muito tempo, com cadáveres, poças de sangue, neblinas e locais destruídos por todo lado. Há estruturas ainda que auxiliam (ou atrapalham) durante o combate, forçando atenção aos arredores o tempo inteiro.

No entanto, o impacto disso se perde rapidamente porque as fases repetem os cenários, fazendo o jogador passar muitas vezes pelo mesmo lugar, contando apenas com pequenas variações, como portões fechados ou horário e clima diferentes.

Já os mortos-vivos são grotescos — no bom sentido! Eles são asquerosos, assustadores e ágeis, e até mesmo os sons que emitem causam arrepios. Atingi-los ainda gera mutilação de membros e muito sangue espirrado, adicionando cores vivas ao cenário (mesmo que não da forma mais confortante).

Alguns cenários, principalmente à noite, estão belíssimos

As armas que podem ser usadas contra as criaturas não são muitas, e também não são variadas. Há escopetas, fuzis e metralhadoras, mas praticamente todas oferecem a mesma sensação, sem causar impacto ao alternar entre elas. Não existe aquela satisfação de praticamente explodir os inimigos com uma arma de maior calibre e optar por um bastão, uma faca ou um machado também é algo que não faz muita diferença, além da aparência na tela.

Essa falta de cuidado ainda se repete por todo o arsenal, até em itens secundários. A granada, por exemplo, não tem algo simples como um timer, em que é possível “controlar” o tempo de explosão, gerando efeitos que não têm lá muita graça.

Esses detalhes fazem com que aniquilar hordas incontáveis de zumbis não seja tão prazeroso quanto deveria ser, ainda mais quando essa ideia é a principal premissa do jogo.

A maior novidade na jogabilidade acaba ficando com um sistema de cartas, que funciona como a base da build do jogador. Ele consiste em um baralho personalizável de 15 cartas, além de “cartas soltas” que são como uma ajuda extra que pode ser escolhida antes de cada partida.

Muitas cartas oferecem vantagens (e, ao mesmo tempo, desvantagens) que afetam a vida, vigor e outras características do personagem. E resta ao jogador escolher as que mais se adequam ao seu estilo de combate. Elas são desbloqueadas com recursos coletados em partidas ao decorrer do game, fazendo com que seja possível deixar o deck cada vez mais variado. No entanto, são tantas cartas ativadas ao mesmo tempo e que dão vantagens tão pequenas que o gameplay não é tão afetado, fazendo o jogador sentir pouca diferença na prática.

Já a história é praticamente inexistente. Há algumas cenas e diálogos durante as fases que contam para onde os sobreviventes estão indo, mas tudo é feito de forma rasa e superficial. Não há desenvolvimento de personagens que vão além de frases engraçadas no meio da porradaria, e as cutscenes apenas mostram mais lutas só que de forma cinematográfica, em vez de tentarem um conteúdo diferente.

A localização em português brasileiro ainda deixa a desejar, contando com traduções desconexas em certos momentos, como “erro de partida” para “game over” e “mirar para baixo” para “aim down sight”, o que reflete um certo descuido que prejudica a imersão. Em relação à dublagem de vozes, as atuações são satisfatórias e rendem momentos divertidos durante o gameplay, mas são um pouco prejudicadas por mais traduções esquisitas, como alguns tipos de zumbis ganhando apelidos como “velha” e “garotão”.

Cooperativo vs Solo

Ao jogar com amigos, a campanha de B4B conta com desbloqueamento de cartas, fases que facilmente são finalizadas com trabalho em equipe e uma dose de diversão despretensiosa. Já a campanha solo conta com ajustes para fazer com que algo projetado para cooperação seja viável para um lobo solitário. Só que, na prática, acaba sendo frustrante porque é como se, com apenas um jogador, não existisse progressão.

Todas as cartas já ficam disponíveis desde o início e não precisam ser desbloqueadas, então coletar e economizar recursos é algo desnecessário. Os outros três jogadores são substituídos por bots, que contam com uma inteligência artificial fraca. Eles apenas são úteis para aniquilar inimigos comuns, mas não se posicionam bem contra chefes, não miram em pontos fracos, não ajudam nos objetivos principais (como carregar itens ou realizar tarefas) e também sofrem com bugs, atravessando e travando em paredes, atirando para o lado errado e até teletransportando do nada.

A impressão que passa é que a experiência solo não foi pensada com cuidado, resultando em uma versão remendada em cima da versão cooperativa — até mesmo algo simples como poder pausar o jogo com o menu, uma vez que não está online, não foi colocado. Além disso, troféus e conquistas não são desbloqueados ao jogar sozinho.

Matar zumbis com um bastão rende poças de sangue, corpos para todo lado e mãos ensanguentadas. Puro caos!

Back 4 Blood é um jogo que foi projetado para uma experiência cooperativa, em que basta desligar o cérebro e se divertir com alguns tiros em zumbis frenéticos. Caso contrário, não é assim tão empolgante.

A atmosfera dos cenários funciona, e estourar os crânios de mortos-vivos é divertido… por um tempo. Mas a fórmula que une as mecânicas e os sistemas não se sustenta por muito tempo. A repetição no mapa com poucas mudanças, somada à falta de polimento, armas e objetivos mais engenhosos, e personagens e história que dão um mínimo de motivação ao jogador, acaba gerando um jogo cansativo.

Em poucas horas, tudo já é feito de forma automática. E estourar crânios gera a mesma sensação, de novo e de novo. Ao reciclar uma fórmula de sucesso do passado, a expectativa era que B4B o fizesse de forma revigorante ou até mesmo nostálgica. Mas acabou resultando em um jogo que não soube aproveitar as ideias e mecânicas que tinha em mãos.


Back 4 Blood está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S e PC. Este review foi feito com uma cópia cedida pela WB Games.

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