Assistimos a Como Sobreviver a um Ataque Zumbi

Humor adolescente, gore, mamilos e um total desrespeito às regras estabelecidas para os mortos-vivos

Marina Val Publicado por Marina Val
Assistimos a Como Sobreviver a um Ataque Zumbi

Zumbis são um tema batido. Nas últimas décadas nós já vimos inúmeros exemplos de filmes, séries e quadrinhos que exploram o medo que temos de que humanos possam se tornar criaturas irracionais que atacam e devoram outros da mesma espécie. Por conta disso, quando um novo filme sobre esses monstrengos é anunciado, espera-se que ele traga alguma novidade que justifique explorar algo assim sem parecer repetitivo. Não é o que acontece por aqui.

Roteiro previsível, gore abundante, piadinhas sexuais, mamilos e um total desrespeito às regras estabelecidas para os mortos-vivos, esse é Como Sobreviver a um Ataque Zumbi.

A premissa inicial do filme é até promissora: três adolescentes perdedores, Ben (Tye Sheridan), Carter (Logan Miller) e Augie (Joey Morgan), precisam usar as habilidades adquiridas como escoteiros para sobreviverem ao ataque de criaturas que estão destruindo a cidade. Explicando assim, pode parecer uma mistura de Superbad: É Hoje com Todo Mundo Quase Morto (Shaun of The Dead), mas está bem longe de alcançar o mesmo nível de qualquer um dos dois.

Para um filme de comédia, Como Sobreviver a um Ataque Zumbi falha no básico. O humor não tem o impacto ou importância que deveria e a insistência em fazer piadas de cunho sexual com zumbis deixa o roteiro com cara de fanfic erótico de The Walking Dead.

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O primeiro encontro dos protagonistas com os zumbis acontece quase como uma fantasia adolescente se tornando realidade: a boate de strip-tease está sem o segurança na porta, os adolescentes entram e assistem a primeira dança erótica da vida deles. Porém, a stripper é apenas uma morta-viva que não leu as regrinhas básicas de comportamento das criaturas, que o filme fez tanta questão de estabelecer nos minutos iniciais ao contar a história de origem dos monstrengos.

Mas é claro que se o longa entrou nesse barco, ele não iria mostrar apenas uma cena demasiadamente longa sensualizando uma das mortas-vivas. Algum tempo depois, mais nudez e, dessa vez, em câmera lenta, para mostrar os seios balançando com detalhes. Peitos esverdeados e em estado de decomposição, claro.

Para completar, Como Sobreviver a um Ataque Zumbi incluiu também piadas totalmente gratuitas envolvendo bundas, pênis e calcinhas. Mesmo uma referência a uma cena icônica de A Hora dos Mortos-Vivos (Re-Animator) não chega nem perto de ter o mesmo impacto da original.

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A personagem feminina que acompanha os escoteiros na jornada, Denise (Sarah Dumont), uma garçonete que trabalhava na boate, passa rapidamente da heroína que salvou os garotos com uma escopeta para um mero acessório que serve apenas para ensinar um dos jovens a impressionar e a beijar uma garota. Mesmo que aulas de tiro fossem uma lição mais importante que romance no meio de um apocalipse zumbi.

Os roteiristas pareciam estar tão ocupados escrevendo piadas nível quinta série sobre partes íntimas dos monstrengos que esqueceram de fazer diálogos decentes que tornassem qualquer um dos personagens mais interessantes. O longa segue linhas previsíveis e não oferece nada positivo que o diferencie de comédias com mortos-vivos que vieram antes. Melhor ficar com Zumbilândia (o filme), Todo Mundo quase Morto ou mesmo a nova série de Bruce Campbell, Ash vs Evil Dead.

Como Sobreviver a um Ataque Zumbi estreia em 12 de novembro de 2015.