Assassin’s Creed Valhalla | Review

Entre guerras e um pouco de diplomacia, o guerreiro busca apenas uma morte digna

Jeff Kayo Publicado por Jeff Kayo
Assassin’s Creed Valhalla | Review

É chegada a hora de uma das franquias mais populares da Ubisoft invadir as baías congeladas do povo nórdico com Assassin’s Creed Valhalla. A história de uma civilização vista como selvagens, bárbaros e pagãos, com seus “deuses de mentira” e toda a sua violência nos campos de batalha servem como base para a criação do próximo capítulo da história da eterna luta entre assassinos e templários.

Sob o comando de Eivor, personagem principal, o game mostra ao jogador a sua própria visão dos acontecimentos que permeiam o século IX, durante as invasões nórdicas à Britânia. Clãs, alianças, amizades, reis sendo corados e destronados, tudo isso envolto aos mistérios da descoberta da ossada de um guerreiro nórdico na Nova Inglaterra por Layla Hassan e seus companheiros (no tempo presente do game).

AC Valhalla apresenta uma quantidade absurda de conteúdo para ser descoberta pelo jogador, com tarefas de mundo aberto como exploração, navegação, invasões, assassinatos e até mesmo a manutenção do seu povoado recém imigrado dos campos frios e impróprios para o plantio para o calor e o verde de uma Britânia em constante conflito com esses mesmos imigrantes.

Eivor, Marca-de-Lobo

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O protagonista de Valhalla, escolhido pelo jogador no início da campanha, pode ser homem ou mulher. Deixando o jogo escolher por você, Eivor será uma poderosa guerreira viking, a última do seu clã, adotada e criada pelo Rei Styrbjorne como sua própria filha. Ao lado de Sigurd, seu irmão de criação, os dois decidem buscar a glória que lhes foi negada em sua terra natal invadindo a Britânia em busca do seu lugar ao sol.

Enquanto Sigurd entende melhor as nuances fora dos campos de batalha, fazendo aliados políticos e aumentando a sua influência em território hostil, Eivor é uma guerreira nata, feroz, mas ao mesmo tempo sábia em suas escolhas. Graças à visita de dois estrangeiros, Basim e Hytham, Eivor acaba se aproximando um pouco mais da “Ordem dos Secretos” e acaba aprendendo algumas das técnicas mais conhecidas do universo de Assassin’s Creed.

Receita de sucesso

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Algumas missões utilizam um aríete gigante para derrubar portões

Assim como aconteceu com AC: Origins e AC Odyssey, Assassin’s Creed Valhalla tem na sua trama muito pouco da influência do que fazia Assassin’s Creed um jogo da franquia. A história entre assassinos e templários é praticamente esquecida no início da aventura, e vai sendo diluída à conta gotas durante a saga de Eivor.

O caminho parece ter dado certo para a franquia, que repetiu a mecânica novamente em Valhalla. Infiltração e assassinatos silenciosos não parecem fazer parte do menu de guerreiros tão exagerados como os Vikings, que correm aos gritos e soprando berrantes em busca da melhor batalha de suas vidas. Aos poucos, no entanto, a rotina de um Assassino vai sendo apresentada pelo game, e de alguma forma passa a afetar também a nossa personagem principal.

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Combates viscerais aguardam os jogadores

Muitos dos elementos introduzidos nos jogos anteriores estão de volta, repaginados. O combate passou por uma atualização, possibilitando o manejo de armas distintas em ambas as mãos. Apesar disso, a variação não chega a ser um fator decisivo na batalha, importando mais como o jogador usa suas ferramentas de defesa para desgastar a guarda do inimigo ao invés de manter-se constantemente no ataque de um botão.

O que nos leva a uma sábia manutenção do fôlego de Eivor durante o combate. Esquivar-se ou errar ataques causam um decréscimo nessa barra, ao ponto que ataques que acertam o adversário aumentam mais rapidamente o seu fôlego. E da mesma forma que você consegue aparar o golpe adversário, alguns inimigos mais habilidosos fazem o mesmo com você, criando situações perigosas e que podem causar a sua derrota. Saber quando atacar e quando defender é de extrema valia no combate de Valhalla.

Ajeitando a casa

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Cuide da sua vila e dos bichanos que lá habitam

Uma das novas mecânicas de AC Valhalla se apresenta no formato dos assentamentos. A criação e manutenção de um vilarejo viking em terras estrangeiras requer a obtenção de recursos para a construção de prédios e estabelecimentos de importância dentro de uma comunidade, como uma loja de tatuagens, por exemplo.

A ideia de comandar sua própria vila lembra bastante o que acontecia em Assassin’s Creed 2 e AC: Brotherhood. No entanto, não há a manutenção financeira dos edifícios e o assentamento não gera renda ao jogador, apenas algumas missões secundárias e minigames, o que funciona perfeitamente dentro do contexto de Valhalla.

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Incursões são divertidas de serem realizadas

Para juntar meios para a construção e melhoria do seu assentamento é preciso juntar recursos. Para isso, as incursões passam a se tornar disponíveis no mapa. Invadir e tomar monastérios em busca de suas riquezas é uma das grandes novidades do game.

Chegar com seu Dracar (barco de guerra) ao som dos gritos de guerra da sua tripulação é quase como jogar um capítulo da minissérie Vikings (2013), de Michael Hirst. A diferença é que no game não precisamos matar e nem torturar nenhum dos clérigos da região, apenas seus soldados. A incursão só acaba quando todos os baús de riquezas da região forem saqueados.

Conhecendo seus vizinhos

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O mapa das alianças

Se mudar para uma nova casa requer um comprometimento também para conhecer os vizinhos que farão parte da sua vida. Valhalla apresenta isso na forma de missões especiais que tem como propósito conhecer e se aliar a outros clãs, expandindo a sua influência por toda a Britânia.

É aqui também que a história começa a se desdobrar em múltiplos caminhos, causando aquela conhecida sensação de “muita coisa para fazer ao mesmo tempo” dos títulos da franquia. Da mesma forma que os dois últimos jogos da série, caso bata a dúvida de qual caminho seguir, opte sempre pelo de nível mais baixo, já que o sistema de poder de combate continua exatamente o mesmo.

A Ordem dos Assassinos

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Eivor terá duras missões pela frente

Depois que o prédio dos “Ocultos” é construído na sua vila, Hytham nos apresenta uma lista de possíveis alvos para serem eliminados. A lista divide os alvos em categoria e é exatamente a mesma coisa que encontramos em Origins e Odyssey.

Investigações e a descoberta de pistas vão trazendo à tona os personagens que, em determinado momento da história precisam ser eliminados. Ao redor disso, uma quantidade absurda de Devotos também estão à sua procura, e todos eles entregam um desafio à altura, diferente dos demais adversários que o jogo nos apresenta.

Apesar de muito semelhante aos títulos anteriores, as missões de assassinatos continuam funcionando bem, e são as responsáveis por nos apresentar algumas das missões paralelas mais divertidas do game, além de desmascarar a história secreta que corre em paralelo à jornada de Sigurd e Eivor.

Escolhas e consequências

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No estábulo você escolhe a sua montaria e a treina, inclusive, para nadar

Em muitos momentos de Assassin’s Creed Valhalla, seremos obrigados a realizar certas escolhas que vão afetar profundamente o restante da narrativa, seja criando aliados ou fazendo inimigos para o resto do jogo.

Não há de fato uma escolha errada, apenas caminhos diferentes. A grande sacada disso tudo é criar uma experiência diferente para cada um dos jogadores de AC Valhalla, sem mirar em finais verdadeiros ou mais completos.

A questão de caminhos diferentes também se reflete no gameplay do jogo. O jogador nunca está preso a uma única maneira para realizar determinada missão, invadir algum vilarejo ou lidar com os problemas que o mundo aberto lhe apresenta.

A busca pela “build” perfeita

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A árvore de habilidades se desenvolve à medida que o jogador evolui

Criar seu personagem em AC Valhalla é bastante simples. Ganhe pontos de experiência e troque por novas habilidades, diferenciadas em cores e estilos. A árvore de skills começa pequenina, mas logo se expande e entrega uma vasta quantidade de opções. A melhor parte, é que em qualquer momento do game é possível resetar todos os seus pontos para a criação de uma constituição nova, sem custo adicional.

Ao lado das habilidades passivas, é possível encontrar pelo mapa runas específicas chamadas de Aptidões, que funcionam como golpes especiais, de curta ou longa distância. Esses ataques requerem o uso de uma barra especial, que é preenchida à medida que a batalha acontece, e podem ser equipadas complementando o estilo de jogo da maneira que o jogador desejar.

O mundo de Valhalla

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O mapa exibe o nível de poder, riquezas e mistérios de cada região

A exploração de AC Valhalla é dividida em momentos específicos. Antes de invadir a Britânia, as horas iniciais apresentam um mapa nórdico cheio de neve, lagos congelados, montanhas e cachoeiras gigantes.

É claro que nesse momento o jogo não terá apresentado todo o seu conteúdo de exploração, mas mesmo assim, aqui encontramos desafios que não vão se repetir no game — pelo menos até que possamos retornar a esta região mais para frente na trama.

Ao chegarmos na Inglaterra, três novos territórios são abertos para exploração: Mércia, Ânglia Oriental e Wessex. Essas regiões são as que representam todo o miolo do game, locais onde as tramas vão se desenrolar e novos desafios vão surgir.

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O começo do jogo apresenta a região congelante da Nortúmbria

Por fim, depois de preencher certos pré-requisitos no seu assentamento, um novo mundo é destravado para exploração: Asgard. Lá acontece uma aventura paralela, com novos personagens e um talento maior para a apresentação da mitologia nórdica.

A quantidade de coisas para se fazer nos mapas de AC Valhalla chega a beirar o absurdo. Recursos para coletar, túmulos secretos de reis do passado, colecionáveis dos mais variados tipos, armas e armaduras, maldições, aptidões, mapas de tesouro, tatuagens, músicas para velejar, e tantas outra coisas que fazem sentido no todo, mas vão exigir bastante tempo do jogador. E pelo menos não estão jogadas à toa no todo.

Aliás, aqui é bom fazer um pequeno adendo. Jogar Assassin’s Creed Valhalla nos consoles da nova geração, como o Xbox Series X, no meu caso, reduz o tempo de carregamento absurdamente, além de proporcionar cenários incríveis.

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A variedade de cenários é um dos pontos fortes do game

Assassin’s Creed Valhalla não foge muito da fórmula criada por Odyssey ou Origins, mas aperfeiçoa tudo em relação dos seus antecessores, como já é de praxe. Mesmo assim, vale muito a pena por conta da nova temática — que ao lado de Origins, são as duas melhores temáticas da franquia na minha humilde opinião –, envolvendo a mitologia nórdica como um todo. Para os próximos jogos, o ideal é que a Ubisoft faça mudanças bem maiores do que vem sendo feito nos últimos anos.


Assassin’s Creed Valhalla chega no dia 10 de novembro para PC, PlayStation 4, Xbox One, Xbox Series e Stadia. O jogo também estará disponível para PS5. Esse review foi feito com uma cópia do jogo fornecida pela Ubisoft em um Xbox Series X.