Assassin’s Creed Valhalla | Exploramos a fundo uma das regiões do jogo

Invadi fortalezas, casas de banho e criptas, vi uma coroação e apanhei em um dos mini games

Priscila Ganiko Publicado por Priscila Ganiko
Assassin's Creed Valhalla | Exploramos a fundo uma das regiões do jogo

Assassin’s Creed Valhalla coloca o jogador na pele de um líder de clã viking que está pronto para conquistar um espaço para seu povo, nem que seja na base das machadadas. Mas, em meio a combates sangrentos, o jogo apresenta aspectos da mitologia e cultura nórdica, ao mesmo tempo em que entrega diversos momentos engraçados e leves.

Pude testar o jogo mais uma vez antes de seu lançamento, dessa vez com mais tempo para explorar o vasto mapa e com uma missão completa para realizar. Nas minhas primeiras impressões, que você pode ler clicando aqui, vivi aventuras pelo mapa enquanto buscava mistérios e tesouros. Dessa vez, com cerca de seis horas de gameplay, o foco foi completar parte da história.

Essa também foi a primeira vez que tive a oportunidade de dar uma voltinha no Settlement, uma base onde os companheiros de Eivor, a personagem protagonista, se reúnem. O “acampamento”, identificado no mapa pelo ícone de uma tenda, é onde você pode treinar ataques, personalizar a aparência e gerenciar recursos.

Além de mudar as tatuagens, cores de cabelo e penteado de Eivor, também é possível mudar o visual da base em si, escolhendo decorações para áreas específicas e investindo em construções de acordo com as vontades do jogador. Há uma sala de reparação de estátuas, uma lojinha para comprar armas e armaduras, e vender itens encontrados nas missões. É possível até construir uma padaria — embora eu tenha optado por melhorar o meu ferreiro antes disso e não tenha tido a chance de assar uns pãezinhos.

O local é povoado por personagens que você encontra durante as missões e que, eventualmente, vão parar no seu clã. Ao finalizar objetivos, algumas vezes é possível recrutar NPCs.

A base também é onde o jogador gerencia as missões ativas. Foi lá que iniciei o processo de forjar uma aliança com a região de Ledecestrescire (sim, é um nome gigantesco).

Para assegurar a parceria, era necessário convencer o rei Burgred a entregar a coroa para o próximo candidato, Ceolwulf, um nobre que estava disposto a trabalhar junto com os vikings para garantir a paz nas terras. Como é de se esperar, essa não foi uma tarefa fácil de cumprir.

Após encontrar meus outros companheiros nórdicos, fomos até o rei Burgred, que estava enfurnado junto de seus leais subordinados em um forte, e me senti o próprio Jaime Lannister, de Game of Thrones, tentando negociar com ele antes de invadir a propriedade com Ivarr e Ubba Ragnarsson, meus colegas vikings, Sigurd, meu irmão, e meu exército.

Reis e nobres teimosos existem em abundância no game

Não é difícil imaginar que as negociações não deram certo, e tivemos que usar a força bruta para invadir o forte.

Munidos com um aríete, destruímos os portões para entrar na fortaleza de Tamworth e procurar pelo rei. O campo de batalha é um prato cheio para o combate corpo a corpo, mas também possui locais estratégicos para dar umas boas flechadas nos inimigos sem tomar dano.

Os combos de Eivor são satisfatórios tanto quando se usa um machado em cada mão quanto ao optar por segurar um escudo em uma delas para um maior controle de defesa. As finalizações são brutais, e frequentemente envolvem desmembramento em sequências de câmera lenta.

Há uma barra de energia voltada para o uso de habilidades especiais: golpes poderosos ou até mesmo que desaceleram o tempo para que a protagonista consiga desferir mais ataques ou flechadas nos oponentes. A aljava de flechas pode carregar uma quantidade limitada de projéteis, mas não tive dificuldade em encontrar locais para repor a munição.

Depois de derrubar alguns portões e derrotar um monte de soldados, a invasão foi um sucesso e tomamos a fortaleza, mas não foi possível encontrar o rei, porque ele, obviamente, fugiu durante a luta.

Enquanto atravessava o mapa procurando pelo esconderijo do monarca, encontrei marcadores mostrando mistérios, artefatos e tesouros da região — como não há muitas missões secundárias, explorar esses pontos de interesse são de grande valia para Eivor. É assim que a personagem ganha novas habilidades e pontos para gastar em melhorias.

As condições para conseguir recompensas são bem variadas. Em um dos pontos de interesse, fui salvar uma mulher que, na verdade, não queria ser salva. Tesouros podem ser encontrados usando pistas deixadas por aí, e é possível até mesmo encontrar inscrições sagradas em quebra-cabeças de perspectiva ou símbolos amaldiçoados em locais como casas abandonadas.

Deparei-me com uma dessas maldições por acaso, enquanto ia de uma cidade a outra. A casa estava envolta em uma névoa, e cercada de corpos em decomposição. Quando me aproximei, a tela ficou com manchas escuras e o campo de visão pareceu ligeiramente reduzido, tudo causado por um símbolo que estava escondido dentro da casa.

Não consegui entrar diretamente, então tive que procurar a fonte do problema olhando pelo lado de fora. Abaixo, é possível enxergar apenas uma parte da imagem amaldiçoada, que sumiu após ser atingida por uma flecha.

Corpos em decomposição e uma aura maligna cercavam a casa com o símbolo amaldiçoado

Assim como em outros jogos da franquia, como o Assassin’s Creed Origins, às vezes um animal selvagem e hostil cruza o seu caminho. Na minha experiência com Valhalla, encontrei duas espécies de fera: lobos e javalis. Embora pareçam pequenos perto de Eivor, são capazes de causar muito estrago caso você não esteja preparado para lutar (ou para correr muito, até muito longe).

Em um dos momentos mais hilários da minha jogatina, fui perseguida por um javali, um lobo e ainda acabei caindo em um acampamento inimigo — tudo ao mesmo tempo.

Passear pelo mapa torna-se interessante não apenas pela quantidade de conteúdo para encontrar, explorando, mas também em momentos como no barco, onde é possível ouvir músicas típicas ou histórias dos personagens do seu clã.

Após algumas boas horas seguindo pistas que não levaram a nada, finalmente consegui localizar o esconderijo do rei Burgred. Usando muita furtividade para vencer os inúmeros guardas, consegui finalizar a missão com sucesso — mas não vou contar como foi para não dar spoilers.

Mini games e mitologia

Nem só de porrada e tretas vive o viking: em cidades aliadas e na base é possível encontrar diversos mini games, como o flyting, que é como uma batalha de rap; uma competição de bebida; e o orlog, um jogo de sorte e estratégia que envolve atacar e defender usando dados.

Cada jogador tem 15 pontos de vida, e cada faceta do dado representa algo diferente. Há dois tipos de ataque, corpo a corpo e longa distância, e dois tipos de defesa, uma para cada tipo de ataque. Há também uma faceta para roubar “Favor” do outro — a moeda utilizada para invocar os poderes dos deuses, que podem ajudar diminuindo a vida do oponente ou concedendo outros tipos de bônus.

O destino não estava favorável nessa rolagem de dados

O game é interessante e exige planejamento estratégico e sorte. Joguei três partidas e perdi todas.

Como curiosidade, o nome do jogo, “Orlog”, é o mesmo de um dos conceitos de destino da cultura nórdica, juntamente com a palavra “Wyrd”.

Orlog é como se fossem as camadas do destino, ações que podem impactar no futuro. Cada indivíduo carrega as consequências de escolhas de seus pais e avós, por exemplo. O número de caminhos que podemos trilhar na vida é determinado pelo Orlog, mas as escolhas que fazemos determinam o resultado final: o Wyrd.

Wyrd é a palavra utilizada para denominar os “efeitos” das escolhas. Uma comparação frequente é com uma teia de aranha, em que um fio influencia todos os outros a seu redor, lembrando que as ações possuem consequências não apenas para o indivíduo mas também para quem está a sua volta.

Um mapa vasto para explorar

Depois de batalhar, invadir castelos e criptas, presenciar uma coroação e de apanhar no orlog, voltei para a base para confirmar a aliança com Ledecestrescire e seu novo regente, o rei Ceolwulf.

Essa é uma das primeiras missões que o jogador precisará completar em Assassin’s Creed Valhalla, e, julgando pelo mapa, ainda há muito o que explorar e territórios para conquistar, seja através da conversa e política ou da força bruta.

Praticamente todos os nomes são difíceis de pronunciar

Para quem quer ter uma ideia do tamanho do jogo, completar a missão principal da área tomou bastante tempo das seis horas de jogatina, e não cheguei a explorar nem metade dos mistérios e tesouros da região, mas não posso dizer que estava empenhada em terminar as tarefas rapidamente.

A ambientação de Assassin’s Creed Valhalla é capaz de deixar o jogador imerso em seu mundo e desperta a curiosidade para aprender mais sobre a cultura e mitologia nórdica. Embora tenha batalhas impiedosas, também oferece momentos de descontração — dei boas gargalhadas com a moça que não queria ser salva — e mostra o lado de companheirismo de um povo geralmente retratado como brutal.

Assassin’s Creed Valhalla será lançado para PlayStation 4, Xbox One, PC, Stadia e consoles da próxima geração. O jogo está previsto para 10 de novembro.