As Dusk Falls | Review

Um jogo narrativo que foi feito para ser uma experiência cooperativa, mas é prejudicado por história pouco inspirada

Tayná Garcia Publicado por Tayná Garcia
As Dusk Falls | Review

As Dusk Falls é um jogo totalmente focado em narrativa, que leva a sério a ideia de que uma das partes mais divertidas de apreciar uma boa história é compartilhando-a com alguém de alguma maneira.

O título é o primeiro projeto da INTERIOR/NIGHT, estúdio indie formado por ex-desenvolvedores da famosa Quantic Dream, conhecida por Heavy Rain e Detroit: Become Human.

Com mecânicas simples e muitos diálogos, o game tem o objetivo de entregar uma história interativa para ser experimentada com amigos, sendo acessível para todos, incluindo aqueles que não são familiarizados com videogames. O título consegue fazer tudo isso, mas não sem alguns tropeços no caminho.

Experiência cooperativa para todos

As Dusk Falls é como uma graphic novel em movimento, em que decisões de falas e ações estão nas mãos do jogador, que molda o rumo da história.

É possível jogar sozinho ou com até oito amigos, local ou online. A parte curiosa é que não é preciso de outro controle para se juntar no co-op de sofá. O título oferece um aplicativo gratuito para dispositivos móveis (Android e iOS) que, ao ser baixado e instalado, se conecta ao game. Assim, você realiza os comandos na própria tela do celular.

Para usar o celular como controle, é preciso estar conectado à mesma rede Wi-Fi do console e colocar o código do lobby

A conexão é fácil, rápida e extremamente prática, sendo uma ótima solução para não ter que passar o controle (ou literalmente ter oito deles) para jogar. As pessoas ainda podem se juntar ou deixar a “partida” a qualquer momento.

Ao jogar com companhia, cada pessoa vota no diálogo que deseja, e a opção mais votada é a escolhida na trama. Exceto em decisões mais significativas, em que o game oferece mais tempo para todos debaterem e entrarem em um acordo unânime.

Além disso, há o poder do “veto”, que consiste na ideia de impedir os votos dos amigos em uma rodada, fazendo sua opção ser escolhida. No entanto, há um número limitado de vetos e é bom usá-los com parcimônia, se não quiser acabar o jogo com menos amizades.

O veto faz com que apenas um jogador vote na hora de uma decisão

As Dusk Falls apresenta um visual focado em arte 2D, que parecem inspiradas em páginas de HQs. É bem chamativo esteticamente e funciona com o tom sério da narrativa. No entanto, há detalhes em 3D no fundo dos cenários, como carros, portas e objetos de ambiente em geral, que estão mal polidos e destoam do resto da estética.

Como era de se esperar, a jogabilidade é simples e direta ao ponto, sendo dividida em duas mecânicas. A primeira é a já detalhada escolha de diálogos e ações, enquanto a segunda é um sistema de QTEs no controle ou tela do celular, como apertar repetidamente ou deslizar em uma direção específica.

Além disso, os jogadores precisam prestar atenção nos detalhes das cenas, porque informações importantes podem aparecer repentinamente, e você terá que usá-las depois. Por exemplo, um personagem pode segurar um papel com um código e, em algum momento, será preciso lembrar dos números para abrir um cofre.

Uma narrativa morna

As Dusk Falls acompanha histórias paralelas com diferentes protagonistas, que acabam interligadas de alguma maneira, lidando até com linhas temporais diferentes. Decisões precisam ser tomadas a todo instante, gerando consequências imediatas ou a longo prazo.

Essa combinação dá a entender que se trata de uma narrativa complexa. No entanto, a trama é bem simples e até genérica, o que faz com que as escolhas não sejam lá muito empolgantes. A história é sobre três irmãos que, para pagar uma dívida do pai, decidem roubar a casa do xerife da cidade. Só que a situação sai do controle e acaba em uma tragédia que envolve muitas pessoas inocentes.

O jogador acompanha a tragédia de diferentes perspectivas, tanto antes quanto depois do ocorrido

Com tantos protagonistas, a trama vira um emaranhado de arcos que não se desenvolvem completamente até o fim do game. Meu desfecho, por exemplo, pareceu inacabado e vários “problemas” da história ficaram sem resolução.

A construção da maioria dos personagens também não convence, com exceção do caçula dos irmãos assaltantes, Jay Holt, que não só rouba os cofres do xerife, como também a cena. Assim, o jogador acaba não se importando com quase ninguém.

Além disso, a maneira como a história avança e volta no tempo é mal pensada e estruturada, porque entrega spoilers que tiram a graça de decisões a serem feitas no presente. Por exemplo, ver no futuro que um personagem específico está vivo acaba com a tensão das escolhas que o envolvem e parecem mais perigosas. Afinal, você já sabe que, independente do que escolher, não pode resultar em morte.

Jay é o personagem com mais camadas na história por transitar entre os papéis de mocinho e vilão

O jogo oferece texto, legendas e dublagem em português brasileiro, que conta com uma localização com poucos erros de tradução literal. As atuações de vozes estão bem feitas e mantêm a qualidade do início ao fim.

No entanto, há alguns bugs relacionados ao idioma: o volume do áudio cai repentinamente em alguns momentos, e a opção de legendas não apareceu após acionada.

Um anoitecer que deixa a desejar

As Dusk Falls apresenta ideias e recursos que são focados em uma experiência cooperativa, e realmente funcionam na prática, deixando o jogo muito mais divertido em grupo. No entanto, o título não empolga quem está sem companhia ou apenas quer aproveitar uma boa história interativa, porque a trama é pouco inspirada e não se sustenta por si só.

O título de estreia da INTERIOR/NIGHT mostra que o estúdio tem potencial para entregar boas experiências narrativas e cooperativas no gênero do drama. Mas ainda precisa ajustar alguns parafusos aqui e ali.


Este review foi feito com uma cópia cedida pela Microsoft.

As Dusk Falls está disponível para Xbox Series X|S, Xbox One e PC. O título chega ao Xbox Game Pass e Xbox Cloud Gaming (Beta) logo no lançamento.

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