Argylle desperdiça elenco de peso em trama de ação pouco inspirada | Crítica

Novo filme de Matthew Vaughn perde a mão com reviravoltas demais e diversão de menos

Pedro Siqueira Publicado por Pedro Siqueira
Argylle desperdiça elenco de peso em trama de ação pouco inspirada | Crítica (Universal/Divulgação)

Diretor de sucessos como Kick-Ass (2010) e Kingsman (2015), Matthew Vaughn se estabeleceu como um cineasta que soube unir ação e diversão numa identidade visual própria. Em teoria, um projeto que unisse o estilo do cineasta com um elenco invejável, composto por alguns dos maiores nomes de Hollywood, só poderia dar bom, mas Argylle – O Superespião parece um enorme passo para trás não só para Vaughn, como para seus astros.

A trama acompanha a pacata escritora Elly Conway (Bryce Dallas Howard). Autora da série de livros com o espião que dá nome ao filme, ela se vê na mira de assassinos quando, mesmo sem saber, suas obras escondem grandes segredos que podem destruir uma perigosa organização do mal. Elly vê a própria vida se misturar com o mundo de ação de suas obras quando é salva e se aventura com o espião real Aidan (Sam Rockwell).

Nesse nível mais superficial, Argylle tem um ponto positivo ao misturar, de forma bastante inventiva, a ação real com a dos livros de Elly, quase como uma história dentro de outra história. Nesse subnível, o filme emprega talentos como Henry Cavill (como o Arhylle fictício), John Cena e até a diva pop Dua Lipa.

O problema é que nem o elenco de peso, nem o tino de Matthew Vaughn para a ação, salvam Argylle de quase duas horas e meia de uma história desinteressante, que não decide se quer se levar a sério ou se parodiar.

A premissa do filme e a brincadeira entre o real e a ficção são deixadas de lado para um enredo desnecessariamente complexo, com um amontoado de reviravoltas que não serve qualquer propósito que não seja despejar vários “peguei vocês!” na plateia.

Sam Rockwell e Bryce Dallas Howard em cena de Argylle. Crédito: Universal/Divulgação

O leitor poderia até perdoar caso algum spoiler fosse revelado neste texto, já que há uma grande chance de algo que é apresentado em tela, na verdade, virar outra coisa totalmente diferente minutos depois. E também, vá lá, um deslize aqui ou acolá até seria perdoável, mas o roteiro de Jason Fuchs (Pan, A Era do Gelo 4) emenda não uma, nem duas, talvez nem mesmo apenas quatro reviravoltas antes mesmo do ato final.

No meio de tudo isso, Bryce Dallas Howard e Sam Rockwell navegam com uma química até surpreendente, dada a pouca chance que o texto dá aos astros. Apesar de todo o destaque nos trailer e de praticamente estampar as principais artes do filme, Henry Cavill mal aparece tempo o suficiente para deixar uma impressão (apesar do topete glorioso). Sobra espaço até para Samuel L. Jackson e Bryan Cranston, que certamente estavam ali por um pouco de diversão e cheques polpudos.

Mesmo nas sequências de ação, onde Matthew Vaughn costumava brilhar, a coreografia inventiva e ágil de sequências icônicas como o tiroteio da igreja em Kingsman dão lugar a pelejas pouco empolgantes, quando não constrangedoras.

Dizem que a expectativa é a mãe da decepção. Talvez Argylle seja mais doloroso porque, de fato, havia o potencial para algo bastante interessante em sua premissa. Mas ao trair até os próprios conceitos em busca de saltos maiores que as próprias pernas, talvez a verdadeira lição é que, às vezes, menos realmente é mais.

Argylle – O Superespião está em cartaz nos cinemas brasileiros. Siga de olho no NerdBunker para mais novidades. Aproveite e conheça todas as redes sociais da gente, entre em nosso grupo do Telegram e mais – acesse e confira.

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