Altruísmo e egoísmo levam personagens ao sacrifício no oitavo episódio de Fundação

As jornadas de Salvor, Dia e Gaal têm destinos diferentes – um deles, desconhecido

Daniel John Furuno Publicado por Daniel John Furuno
Altruísmo e egoísmo levam personagens ao sacrifício no oitavo episódio de Fundação

O sacrifício é o tema do oitavo episódio de Fundação. Com roteiro assinado por Sarah Nolen, A peça que falta contrapõe a renúncia voluntária de três personagens, cada qual com uma motivação distinta.

Atenção: spoilers do oitavo episódio a seguir!

Na Invictus, Phara (Kubbra Sait) rememora o dia do bombardeio imperial a Anacreon, que dizimou metade da população do planeta, incluindo seu irmão – o evento é mostrado em flashback, em uma nada sutil (e pouco eficiente) tentativa de humanizar a personagem. A história não comove Salvor Hardim (Leah Harvey), que lembra a caçadora de que a vingança apenas irá perpetuar o ciclo de violência, pois certamente haverá retaliação a um ataque a Trantor.

Diante da intransigência de Phara, a guardiã tenta, também sucesso, argumentar com seu imediato, Rowan (Pravessh Rana). Não é a primeira vez que Salvor recorre a ele como uma possível voz da razão dentro do grupo de anacreonianos – o que sugere que futuramente isso possa ter alguma consequência na trama.

Aproveitando uma janela de oportunidade, a guardiã consegue se livrar de seus captores e se trancar na ponte de comando da nave, juntamente com Lewis Pirenne (Elliot Cowan), o administrador da Fundação. Lá, encontram os corpos da tripulação original, incluindo a capitã, que tirou a própria vida, não sem antes deixar uma misteriosa mensagem escrita em sangue: “exo”.

A dupla deduz, então, ao menos parte do que ocorreu a bordo. A ausência de Espaciais – a raça geneticamente modificada para suportar a tensão dos saltos espaciais – indica que a navegação da Invictus era feita por um humano, que precisava conectar fisicamente seu cérebro ao controle da nave. Assim, a fim de navegar o próximo salto e conduzi-los para Terminus, Salvor decide fazer essa conexão sem cirurgia, o que pode custar sua vida.

Antes que ela consiga fazer o sacrifício, todavia, Phara e Rowan entram na ponte e atiram em Lewis. Enquanto a guardiã e a caçadora se atracam em luta corporal, o imediato tenta repelir um ataque de naves téspinas, convocadas por Hugo (Daniel MacPherson). Conforme especulado no capítulo anterior, a suposta morte do contrabandista não passou de um subterfúgio para que ele pudesse chegar a uma base de mineração abandonada e contactar seus compatriotas.

No meio de todo esse caos, a Invictus faz o salto aleatório, levando Salvor, Phara e Rowan para uma localização (por enquanto) desconhecida.

Em Donzela, Demerzel (Laura Birn) instrui Dia (Lee Pace) a respeito das regras da caminhada pela Grande Espiral: deve ser feita sem água, comida, descanso ou suporte de dispositivos inorgânicos, a exemplo da aura protetora e dos nanorrobôs imperiais. O peregrino só pode receber auxílio de seus companheiros caso caia sobre um dos joelhos; se o fizer sobre os dois, deve se entregar à morte. Se conseguir chegar ao final, ele entra no Ventre da Mãe, caverna sagrada onde é, geralmente, agraciado com uma visão, mais tarde interpretada por um conselho de Zéfiras.

O sacrifício empreendido pelo imperador logo cobra o preço, abalando seu corpo e, aparentemente, também seu ego: habitualmente orgulhoso e indiferente, ele acaba estabelecendo uma ligação com outro peregrino, um ancião que o auxilia em um momento de fraqueza. O próprio velho posteriormente cai e, apesar da exortação do companheiro de jornada, se coloca sobre os dois joelhos e fica pelo caminho.

Contrariando as expectativas, Dia consegue concluir a peregrinação e relata sua visão às Zéfiras: um trílio, flor de três pétalas que simboliza a Deusa Tríplice e é interpretada como sinal abençoado. O conselho conclui que a busca do imperador por iluminação significa que ele possui, de fato, alma e que qualquer sugestão do contrário é herética – um claro recado a Halima (T’Nia Miller) e suas pregações contra a Dinastia Genética.

Mesmo vitorioso, Dia ordena a Demerzel que elimine a Zéfira rebelde. Após envenenar Halima a contragosto, a androide confronta o imperador, insinuando que ele pode ter visto um exemplar da flor de trílio em seu quarto – portanto, a visão relatada não passaria de uma mentira criada para angariar a simpatia dos luministas.

Por fim, a bordo da Raven, a versão holográfica de Hari Seldon (Jared Harris) confirma a existência da Segunda Fundação, sugerida no episódio anterior. Enquanto o assentamento em Terminus atrai toda a atenção e crítica do Império e do restante do Universo, sua “organização irmã”, localizada no “Fim da Estrela”, pode ficar incógnita, operando nas sombras – com propósitos que o matemático insiste em manter segredo, mesmo de sua pupila.

Ainda sob o impacto da descoberta de suas habilidades de presciência, Gaal Dornick (Lou Llobell) não reage bem à recusa de Hari de revelar seus planos: ela decide deixar tudo para trás e escapar na mesma cápsula que a trouxe até ali. Seu mentor, porém, a impede, trancando a ponte da nave.

Cansada de ser usada como mero peão, a garota recorre a uma medida desesperada: danificar o sistema de radiadores, responsável por dissipar o calor provocado pelo choque com o campo de asteroides na órbita de Helicon. Com isso, a temperatura a bordo sobe e rapidamente atinge níveis críticos.

O sacrifício dá resultado: Hari destranca a porta, permitindo que Gaal embarque na cápsula. Enquanto observa a Raven se incinerar no espaço, ela programa então o destino: seu planeta natal, Synax. Como a viagem até lá levará mais de um século, é razoável supor que algo ou alguém irá interceptá-la no caminho. Ou será que a série fará outro salto no tempo, mostrando o futuro das duas Fundações?


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