Acerto de contas e um respiro antes do fim em Falcão e o Soldado Invernal

Quinto episódio ainda introduz uma nova personagem que pode sacudir o MCU

Daniel John Furuno Publicado por Daniel John Furuno
Acerto de contas e um respiro antes do fim em Falcão e o Soldado Invernal

Verdade, quinto episódio de Falcão e o Soldado Invernal, não perde tempo e traz, logo de cara, um confronto antecipado desde o início da série: de um lado, Sam Wilson (Anthony Mackie) e Bucky Barnes (Sebastian Stan); do outro, John Walker (Wyatt Russell). No encalço do novo Capitão América após ele ter assassinado brutalmente um dos Apátridas, a dupla tenta, em vão, convencê-lo a se entregar e abrir mão do escudo.

[Aviso: O texto abaixo contém SPOILERS e recomendamos assistir ao quinto episódio antes de continuar.]

A luta que se segue é intensa e também reveladora de alguns traços importantes de personalidade. Vemos que a fúria descontrolada de Walker praticamente o coloca em pé de igualdade com a habilidade do Soldado Invernal, assim como a astúcia de Sam (que usa muito bem a tecnologia do traje do Falcão seu favor) o ajuda a fazer frente ao adversário, mesmo sem soro de supersoldado nas veias.

Depois de derrotado e preso, o herói de guerra é levado diante de um conselho do governo norte-americano, que o destitui de seu posto e o dispensa do exército sem regalias. Sentindo-se traído e abandonado, ele é abordado pela Condessa Valentina Allegra de Fontaine (Julia Louis-Dreyfus), a participação especial adiantada por Malcolm Spellman, showrunner e criador da série. A misteriosa personagem diz que, com o soro, Walker se tornou valioso para “certas pessoas” e o aconselha a ficar a postos quando for chamado.

Condessa Valentina Allegra de Fontaine (Julia Louis-Dreyfus)
Condessa Valentina Allegra de Fontaine em Falcão e o Soldado Invernal

Enquanto isso, o duo central se separa. Bucky parte para Sokovia, onde, junto ao memorial para as vítimas do ataque de Ultron, encontra o Barão Zemo (Daniel Brühl), que tenta, uma última vez, manipulá-lo. No entanto, em vez de agir como o assassino frio de outrora, o Soldado Invernal simplesmente entrega o vilão para as Dora Milaje. Antes que as guerreiras levem Zemo para a Balsa — a prisão de segurança máxima vista em Capitão América: Guerra Civil (2016) —, Bucky pede um favor a Ayo (Florence Kasumba).

Por sua vez, Sam vai a Baltimore em busca da “verdade” mencionada no título do episódio e reencontra Isaiah Bradley (Carl Lumbly). O veterano, então, revisita seu passado: conta que, junto com outros soldados negros, recebeu o soro à revelia; mais tarde, foi preso por ter libertado alguns de seus companheiros que seriam mortos pelo próprio governo, em uma queima de arquivo. E conclui, dizendo que escapou somente com a ajuda de uma enfermeira, que forjou sua morte.

Nesse trecho, o roteiro de Dalan Musson faz um bom trabalho ao amarrar os temas sociais que já vinham sendo trabalhados, especialmente quando Isaiah compara o apagamento de sua história ao que seu povo vem sofrendo desde que os primeiros antepassados foram trazidos, escravizados, para as colônias americanas. Em um momento carregado de força dramática e de paralelos com a realidade, o personagem diz a Sam: “nunca vão deixar um homem negro ser o Capitão América; e mesmo que deixem, nenhum negro que se respeite aceitaria ser”.

Abalado com tudo o que ouviu, o Falcão volta para casa, na Louisiana, onde tem um longo período de reconciliação. Primeiro, com Bucky, que reconhece que ele e Steve Rogers falharam ao não perceber as implicações e o peso de passar o escudo a um homem negro. Depois, com a irmã, Sarah (Adepero Oduye), que volta atrás e desiste de vender o barco herdado dos pais. E finalmente, consigo mesmo, quando decide abraçar o papel que lhe cabe e continuar o legado do primeiro Vingador — só que nos seus próprios termos.

Bucky, Sam e Sarah em Falcão e o Soldado Invernal
Bucky, Sam e Sarah em Falcão e o Soldado Invernal

Enquanto treina, Sam descobre, com a ajuda de Joaquin Torres (Danny Ramirez), qual será o próximo passo dos Apátridas: atacar uma reunião do Conselho de Repatriação Global, em Nova York. O que ele não sabe é que Karli Morgenthau (Erin Kellyman) conta com um novo aliado: Batroc (Georges St-Pierre), que busca vingança contra o Falcão por causa dos eventos do primeiro episódio.

O final deixa um gostinho de suspense, com Sam abrindo a caixa que Bucky lhe entregou — e que certamente contém o novo traje do Capitão América, agora desenvolvido com tecnologia de Wakanda. Na cena pós-créditos, Walker emula Tony Stark no primeiro Homem de Ferro (2008) e constrói seu próprio escudo.

Com o encerramento da série se aproximando, resta apenas uma questão: quem é o Mercador do Poder? Mais uma vez, tudo parece apontar para Sharon Carter (Emily VanCamp), já que, além de toda sua atitude suspeita até aqui, ela ainda telefona para Batroc e lhe oferece um serviço, pouco antes de o mercenário se encontrar com Karli. Nada impede, porém, que ela esteja trabalhando para alguém. A Condessa, talvez?

A nova personagem, por sinal, deve ter grande impacto no universo da Marvel daqui para frente. Nos quadrinhos, Valentina Allegra de Fontaine foi integrante da S.H.I.E.L.D., tendo tido, inclusive, uma ligação romântica com Nick Fury. Mais tarde, ela se revelou uma espiã infiltrada a serviço dos soviéticos — algo bastante significativo, já que, segundo um artigo online da Vanity Fair, sua primeira aparição inicialmente estava prevista para acontecer no filme solo da Viúva Negra, que, como se sabe, abordará o passado da agente russa.

Será que a Condessa atuará como uma contraparte de Fury? Terá sido seu encontro com Walker o primeiro passo para a formação de uma equipe de supervilões?

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