2ª temporada escorrega, mas A Roda do Tempo mantém fantasia grandiosa | Crítica

Série do Prime Video aprofunda personagens com muita ação, mas derrapa ao condensar livro complexo em oito episódios

Daniel Reininger Publicado por Daniel Reininger
2ª temporada escorrega, mas A Roda do Tempo mantém fantasia grandiosa | Crítica A Roda do Tempo/Amazon Prime Video/Reprodução

A aguardada segunda temporada de A Roda do Tempo do Amazon Prime Video finalmente chegou ao fim, e, em meio a altos e baixos, ainda se destaca como uma das principais séries de fantasia da atualidade. A longa espera gerou expectativas significativas especialmente com a renovação antecipada da produção para o terceiro ano. Em muitos aspectos, o segundo atendeu à espera, aprofundando personagens e entregando cenas repletas de ação.

Adaptações, por natureza, nunca podem ser completamente fiéis, e a transição da página para a tela requer ajustes, tanto para se adequar ao formato narrativo quanto para condensar uma extensa obra literária em uma única temporada de televisão. No entanto, as mudanças introduzidas são, em grande parte, bem-vindas, embora existam novas tramas desnecessárias nessa segunda temporada.

Uma temporada mais sombria

Seja como for, essa é uma temporada mais sombria e os personagens principais estão plenamente conscientes da ameaça que paira sobre o mundo. Após os eventos da primeira, que os forçaram a abandonar suas vidas pacatas, os amigos agora enfrentam desafios pessoais espalhados e sozinhos pelo mundo, mas suas origens nunca são esquecidas.

Rand al’Thor (Josha Stradowski), o ex-pastor de ovelhas, descobre que é o Dragão Renascido, aquele destinado a salvar ou, talvez, destruir o mundo. Seu confronto com o Ishamael (Fares Fares) no Olho do Mundo desencadeia uma série de eventos, incluindo a perda dos poderes da Aes Sedai Moiraine (Rosamund Pike), que também estava em busca do Dragão Renascido. Esta temporada dá bastante importância à jornada de Rand para compreender seu local no mundo e tentar controlar seu imenso poder.

Distanciando os amigos

A decisão de dividir os protagonistas em tramas distintas continua nesta temporada, permitindo que os telespectadores conheçam profundamente cada um deles em suas jornadas individuais. Rand tenta viver anonimamente, Egwene (Madeleine Madden) e Nynaeve (Zoë Robins) se juntam às Aes Sedai na Torre Branca, Perrin (Marcus Rutherford) lidera uma caçada perigosa, e Mat (Dónal Finn) enfrenta desafios crescentes.

O elenco brilhante traz vida a essas histórias diversas, com Dónal Finn se destacando como Mat. Recém-chegado ao elenco nesta temporada, o ator assume bem o papel de um Mat desgastado por suas experiências e incerto se merece estar com seus amigos, mesmo que a oportunidade se apresente. Já Moiraine, agora cortada da fonte de sua magia, sofre também ao perder a conexão com al’Lan Mandragoran (Daniel Henney), que tem sua própria busca por respostas sobre as complexidades do vínculo entre guardiões e Aes Sedai e onde ele se encaixa nessa nova realidade.

Mundo complexo

Nesta temporada, somos apresentados ao povo Seanchan, conquistadores implacáveis que subjugam qualquer resistência. A ameaça do Tenebroso, que está reunindo seguidores leais, leva a uma paranoia generalizada sobre quem pode estar servindo o vilão, contribuindo para uma tensão constante ao longo da trama.

Até mesmo Rand, que busca viver à margem da sociedade, é envolvido nos complexos jogos políticos de Cairhien. Porém, mesmo ele é arrastado para os complicados jogos políticos da nação Cairhien. Assim como Moiraine, sempre envolta em conspiração e desconfiança.

O quinto episódio do novo ano se destaca ao revelar os planos dos vilões e as fraquezas que os afligem. Embora tenha sido frustrante esperar metade da temporada para ver as tramas se entrelaçarem, as apostas estão aumentando e os personagens estão encontrando maneiras criativas, ainda que perigosas, de enfrentá-las.

Infelizmente, o episódio final encerra a temporada de forma insatisfatória, destacando as limitações narrativas de condensar um livro complexo em oito episódios. Isso levanta a dúvida se a série deveria ter se concentrado mais na fidelidade aos livros em vez de inventar tramas novas e, em grande parte, dispensáveis.

Evolução técnica

Apesar desses obstáculos narrativos, A Roda do Tempo continua a brilhar visualmente. A equipe de design de figurinos, liderada por Sharon Gilham, merece elogios pela estética impressionante dos Seanchan, que são retratados como imponentes e belos. Os cenários e trajes elaborados continuam a criar um mundo envolvente e visualmente deslumbrante, compensando em grande parte as falhas na narrativa.

Uma boa série de fantasia que pode ficar ainda melhor

No final das contas, embora a série não seja perfeita, ela funciona e é especialmente importante para os fãs de longa data dos livros. Afinal, é sempre bom ver histórias e personagens amados serem bem desenvolvidos nas telas.

Esta temporada adota um tom mais maduro, refletindo a evolução dos personagens e do enredo à medida que o mundo se torna mais complexo e perigoso. A produção está ganhando força e oferece uma experiência envolvente, apesar de algumas oscilações.

Se você já é fã de A Roda do Tempo, provavelmente ficará satisfeito com a maneira como a adaptação está progredindo. Se você é novo nesse universo, há muitos motivos para se envolver com essa história épica de poder, destino e luta constante contra as trevas. A série está definitivamente ganhando tração e é empolgante ver para onde ela nos levará a seguir.

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