Terceiro episódio de Fundação salta no tempo e mantém o suspense

Origem da Dinastia Genética e construção da Fundação são o foco do capítulo

Daniel John Furuno Publicado por Daniel John Furuno
Terceiro episódio de Fundação salta no tempo e mantém o suspense

Em seu terceiro episódio, Fundação nos lembra de seu escopo gigantesco ao retroceder 400 anos para mostrar brevemente o Cleon original (Terrence Mann). Já envelhecido e confrontado com sua mortalidade, ele contempla suas maiores obras: a construção da Ponte Estelar e a concepção de seu primeiro clone — esta, supervisionada por sua sempre presente assistente, a robô Demerzel (Laura Birn).

[Atenção: Este texto contém SPOILERS do terceiro episódio da série]

Além de oferecer um vislumbre do início da Dinastia Genética, o flashback introduz o tema do capítulo, sugerido já no título. O fantasma do matemático mostra como o legado de dois homens — o imperador e o professor Hari Seldon (Jared Harris) — assombra as gerações seguintes. Mais do que a ideia de “fantasmas”, porém, o roteiro assinado por Olivia Purnell gira em torno do tempo, da memória e da repetição de padrões.

A trama avança então quatro séculos, 19 anos após os eventos retratados nos episódios anteriores. Em seus últimos dias, Crepúsculo (Terrence Mann) se mostra reflexivo e, com Demerzel, discute sua própria individualidade como clone. Com os irmãos, também envelhecidos — um Alvorada adulto (Lee Pace) e um Dia idoso (Terence Mann) —, pondera sobre o Império que irá deixar, especialmente no que se refere ao tratamento dado a Hari e os povos de Anacreon e Téspis (estes, considerados proscritos) e aos destroços da Ponte, que ainda orbitam Trantor.

O antigo imperador então prova sua última vestimenta, visita a galeria de seus antepassados, recebe dos irmãos um presente (uma visão final do que resta da Ponte, que eles decidem destruir) e, em uma tentativa de deixar ao menos alguma herança, decide fazer uma pintura na parede do quarto destinado a seu novo irmão, prestes a nascer.

Com a chegada do novo membro da linhagem, os demais assumem seus novos postos: Alvorada se torna Dia, Dia se torna Crepúsculo e, por um breve momento, antes de ser desintegrado, Crepúsculo se torna Escuridão. Diante do vacilo do ancião em seus derradeiros passos, Demerzel o conforta, colocando a mão em suas costas, um gesto que já havia feito antes com o Cleon original. É a representação visual da repetição de padrões, mas também uma cena carregada de significado: a robô apoia o imperador e, ao mesmo tempo, o impele rumo ao destino inexorável.

17 anos mais tarde, o novo Alvorada, agora adolescente, ordena que a pintura na parede de seu quarto seja apagada, simbolizando o quão efêmeras são as realizações dos clones.

Neste último salto temporal, somos então transportados para Terminus, onde os integrantes da missão Fundação desembarcam após sua longa jornada. Lá, encontram o Cofre e sentem na pele a força de repulsão do campo nulo ao redor da misteriosa construção. Com o passar do tempo, o local passa a ser simplesmente evitado pelos colonizadores.

A exceção é Salvor Hardin (Leah Harvey): ainda criança, ela descobre que, por razões desconhecidas, é a única imune aos efeitos do campo nulo. No entanto, mantém a informação em segredo, a pedido dos pais, Abbas (Clarke Peters) e Mari (Sasha Behar), integrantes da tripulação original.

Adulta, Salvor passa a atuar como guardiã, responsável pela segurança da colônia, posto que havia sido de seu pai. Em suas patrulhas, percebe que o campo em torno do Cofre inexplicavelmente começou a se expandir. Ela informa à mãe, agora uma das líderes da Fundação, e sugere que a misteriosa construção talvez esteja tentando alertá-los sobre uma crise iminente.

Nem mesmo a chegada de seu amante, o mercador tespiano Hugo (Daniel MacPherson), distrai a guardiã. Em uma noite, despertada por uma intuição, ela segue a visão de uma criança até a carcaça da nave dos colonizadores. Em meios aos escombros, se depara com um garra-de-bispo (a fera citada desde o episódio de estreia e enfim mostrada), que foge, chamando a atenção de Salvor para o céu, onde ela vê uma nave anacreoniana se aproximando.

O veículo espacial logo é seguido por mais dois, que Hugo identifica como modelos de guerra. A cúpula da Fundação minimiza o perigo advertido pelo casal e busca contato com o Império, sem sucesso. A ameaça leva Mari a contar para a filha que roubou dos aposentos de Hari o Primeiro Radiante, que armazena, em forma de equação, todas as previsões feitas pelo matemático. Relutante, Salvor tenta compreender o que o dispositivo mostra, mas não consegue.

Para abrir o Radiante, Mari imita os gestos outrora feitos por Hari, em mais uma representação da repetição de padrões. O tema retorna na noite seguinte, quando Salvor novamente tem a visão da menina e segue os mesmos passos. Desta vez, entretanto, o garra-de-bispo está morto por uma flecha, disparada pelos invasores anacreonianos, que logo cercam a guardiã, encerrando o episódio com suspense.

Embora a prévia do quarto capítulo tenha entregado que, na próxima semana, o foco continuará nessa trama, tudo leva a crer que a série irá alternar a cronologia — afinal, ainda resta saber o que aconteceu com Hari, Gaal (Lou Llobell) e Raych (Alfred Enoch) no passado.


Se quiser se aprofundar na trama da série, a coleção completa da franquia está à venda na Amazon. Se você adquirir a coleção pelo nosso link, o Jovem Nerd pode ganhar uma comissão.

Mais notícias