30 anos de Street Fighter: conheça 7 curiosidades da série

Curiosidades que moldaram o jogo como ele é conhecido hoje

Priscila Ganiko Publicado por Priscila Ganiko
30 anos de Street Fighter: conheça 7 curiosidades da série

Em 30 anos de franquia, muita história foi criada tanto dentro quanto fora do jogo, em quadrinhos, filmes, minisséries, campeonatos… Tudo isso contribuiu para que Street Fighter continuasse relevante desde seu lançamento. Ao longo desses 30 anos, Street Fighter emplacou vários jogos de sucesso e basicamente definiu o conceito que temos de jogos de luta hoje.

Em meio a tudo isso, algumas coisas bem curiosas aconteceram no universo da franquia, e resolvemos relembrá-las nesse post. Chega mais!

Como é que era o nome mesmo?

Se você pegar uma versão japonesa de Street Fighter II para jogar, há grandes chances de ficar bem confuso com os nomes dos chefões.

No original, o boxeador é o M. Bison, o cara da garra é o Balrog e o ditador supremo é o Vega.

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Dá pra dar um nó no cérebro, né? Os personagens tiveram seus nomes trocados quando o Street Fighter II veio para o ocidente por um motivo muito simples: um boxeador chamado M. Bison era muito parecido com Mike Tyson e poderia trazer problemas de uso de imagem. Correm boatos de que a Capcom americana também achou Vega um nome muito fraco para um super vilão do calibre do ditador do jogo, e acabaram mudando por isso também.

Outro nome que foi modificado para a versão ocidental foi o de Gouki, ou, como o conhecemos por aqui, Akuma.

Os efeitos colaterais de uma piada

Um dos favoritos dos fãs, o personagem Akuma nasceu de um erro de tradução e de uma piada de primeiro de abril que saiu de controle.

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Tudo começou com um erro de tradução: os ideogramas de “sho ryu” (昇龍) de “shoryuken” são os mesmos de “Sheng Long” em chinês, o que causou uma pequena confusão entre o pessoal que traduziu o jogo, transformando o quote de vitória do Ryu: “Se você não puder superar o shoryuken, você não pode vencer!” em “Você deve derrotar Sheng Long para ter alguma chance”. Os jogadores então ficaram com a ideia fixa de que Sheng Long era um personagem.

Na edição de 1992 da revista EGM (Electronic Gaming Monthly), a publicação, após receber inúmeras cartas de leitores perguntando sobre a existência de Sheng Long, resolveu trollar seus leitores e dizer que SIM! Sheng Long era real e que havia um método para enfrentá-lo no jogo: era preciso usar Ryu para chegar até a luta final contra M. Bison (o ditador) no Street Fighter II sem tomar nenhum dano, e deixar a luta terminar em um empate por 10 rounds seguidos até que Sheng Long, mestre de Ryu e Ken, apareceria, jogando Bison para fora da tela e começando uma luta até a morte contra você.

Jogadores e outras publicações não perceberam que se tratava de uma brincadeira, e gastaram semanas tentando e replicando a informação falsa como se fosse verdade, até a EGM de dezembro (!!) revelar que tudo não passava de uma mentira.

Apesar de Sheng Long ter aparecido novamente em outras mídias como quadrinhos e até mesmo no manual do port para SNES como mestre de Ryu e Ken — eventualmente aparecendo com o nome de Gouken e virando um personagem jogável em Street Fighter IV — a pegadinha de primeiro de abril deu origem a um chefão secreto em Super Street Fighter II Turbo: Akuma.

E por falar em Gouken…

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A existência do personagem também é bastante curiosa: depois de sermos apresentados ao “mestre Sheng Long” no manual do SFII de SNES — que sumiu nos ports seguintes, sendo substituído pela “escola de karatê Shotokan” — alguns quadrinhos e mangás colocaram Gouken como mestre de Ryu e Ken.

Em 1993, o mangá Street Fighter II: Ryu, de Masaomi Kanzaki, apresentou Gouken como o mestre dos rapazes, treinando-os em algum lugar no Japão. Com a introdução de Akuma na história do jogo, o final do mangá foi influenciado: Akuma matou Gouken e Ryu e Ken ficaram incumbidos de vingarem sua morte.

No filme Street Fighter II: The Animated Movie, o mestre da dupla apareceu com outro nome: Goutetsu, que depois acabou se tornando o mestre de Gouki (Akuma) e Gouken na história dos jogos.

Voltando à mídia impressa, o personagem aparece em flashbacks na série de mangás de Masahiko Nakahira que adapta Street Fighter Alpha e Street Fighter III: Ryu Final — em Ryu Final, vemos a luta entre Akuma e Gouken, onde Akuma sai vitorioso.

Em Street Fighter IV, porém, temos uma surpresa: Gouken aparece pela primeira vez como personagem jogável, revelando ter sobrevivido ao ataque mortal de Akuma e voltando para salvar Ryu da corrupção pelo mal. O personagem entrou no jogo como uma resposta aos fãs que pediam pelo Sheng Long — um dos títulos de Gouken é “AKA Sheng Long” e uma de suas frases de vitória é “Você deve me derrotar para ter alguma chance”.

A invenção dos combos não foi intencional

Combos fazem grande parte da mecânica dos jogos de luta. Uma boa sequência de golpes com o timing perfeito pode impedir seu oponente de atacar, mas esse conceito só foi criado em, adivinhem, Street Fighter II. E de forma acidental.

O produtor Noritaka Funamizu percebeu que era possível dar mais de um golpe na fase bônus de destruir o carro durante a produção de Street Fighter II. Depois de testar algumas vezes, ele concluiu que o timing dos ataques era muito difícil para transformar aquilo em uma mecânica do game, mas resolveu deixar o bug lá, sem contar para mais ninguém do time de desenvolvedores. Não demorou muito para os jogadores descobrirem e conseguirem reproduzir o bug, “criando” assim uma das mecânicas mais básicas dos jogos de luta: o combo.

Super Street Fighter II foi o primeiro a oficializar o bug e a recompensar o jogador visivelmente por conseguir encaixar um golpe atrás do outro, dando uma pontuação maior e mostrando um contador na tela para quem executasse os combos.

Final Fight foi chamado de Street Fighter 89

O clássico dos beat’em up era, originalmente, uma continuação direta do primeiro Street Fighter. O título do jogo era Street Fighter ’89, chegando até em aparecer em revistas japonesas com esse nome.

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No fim, o jogo acabou não sendo uma sequência, mas se passa no mesmo universo de Street Fighter, e vários de seus personagens já apareceram no jogo de luta, como Cody, Guy, Poison, Haggar, Hugo, Sodom e Rolento.

Elena foi criada no Brasil

Yoshiki Okamoto veio ao Brasil antes do lançamento de Street Fighter III para estudar um estilo de luta para uma personagem nova, e tudo indica que a personagem é Elena.

A lutadora usa a capoeira para derrotar seus inimigos, uma luta extremamente disseminada no país, e o criador/produtor deu até uma entrevista à revista Ação Games afirmando que pretendiam incluir uma lutadora brasileira de capoeira no jogo.

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No fim das contas, Elena acabou se tornando a representante africana e nós brasileiros ficamos com Sean Matsuda, discípulo de Ken.

O Street Fighter V vem antes do III

Quando se trata de história, a cronologia de Street Fighter não segue a ordem dos jogos, e para entender tudo o que acontece na ordem correta é necessário acompanhar os acontecimentos na seguinte ordem:

  1. Street Fighter Alpha (Zero, no Japão)
  2. Street Fighter
  3. Street Fighter II
  4. Street Fighter IV
  5. Street Fighter V
  6. Street Fighter III

O jogo mais recente, Street Fighter V, está tentando conectar algumas pontas soltas que ficaram entre o II e o III, e fazer as pontes para que a história prossiga.

Com a ascensão dos esports e a popularidade da franquia, é seguro dizer que ainda devemos ver muito de Street Fighter por mais uns bons anos, seja em formato de Super, Ultra, Alpha ou versus alguma outra franquia, mas, de preferência, que continue sendo um bom game para jogar com os amigos, criar algumas rixas e emendar combos que parecem impossíveis.