Pri Ganiko

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Coluna

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Porter Robinson e a sinceridade por trás da música Everything Goes On

Entrevistei o produtor da nova música do League of Legends, que também é o meu artista favorito

Porter Robinson e a sinceridade por trás da música Everything Goes On

Ultrapassando as barreiras de ser “só um joguinho”, League of Legends mostra que expandir a propriedade intelectual para além das fronteiras de Summoner’s Rift é um acerto que entrega bons resultados nas mais variadas áreas.

Estabelecida como um dos pontos fortes da franquia, as músicas do LoLzinho atingem não apenas os jogadores e outros gamers, mas também um público amplo, que consome os clipes, vídeos dos campeões e mais. Foi assim com o K/DA, grupo formado por personagens do próprio jogo, que fez um sucesso estrondoso com o lançamento de seu primeiro single em 2018.

Em 2021, a Riot Games, empresa por trás da franquia, acertou novamente ao apostar em Arcane, série animada feita em parceria com a Netflix, que conquistou o público geral com sua trama robusta, narrativa intrigante, visual incrível e, claro, uma trilha sonora de tirar o fôlego.

Agora, a empresa está prestes a lançar novas skins e visuais alternativos para os campeões do jogo, em uma de suas principais linhas: as Guardiãs Estelares. Usando o tema de “garota mágica”, muito comum em animes e popularizado por produções como Sailor Moon aqui no Brasil, a linha de skins também ganhou um novo tema musical.

Criada pelo produtor e compositor Porter Robinson, a música “Everything Goes On” transparece sentimentos como perda e tristeza, mas também esperança e alegria. Ao menos, era essa a ideia, como nos contou o compositor durante entrevista online, feita às vésperas do lançamento.

Após lançar sua carreira como DJ de música eletrônica em 2010, Robinson transitou por gêneros dentro do estilo, lançando o disco Worlds em 2014 e voltando, em 2021, com um álbum intitulado Nurture. Ele também é responsável pelo festival Second Sky, que reúne nomes estabelecidos e emergentes do cenário de música eletrônica.

Embora tenha sido convidado anteriormente pela Riot Games para trabalhar em um projeto (que acabou não dando certo), Porter Robinson conta que resolveu retomar o contato com a empresa após ficar encantado com Arcane. Sua ideia era participar da próxima temporada da série animada de alguma forma.

“Quando liguei, eles acabaram me oferecendo essa oportunidade que seria muito mais imediata”, conta ele, sobre o convite para escrever a música para o evento das Guardiãs Estelares, que acontece em julho de 2022 – vale lembrar que a próxima temporada de Arcane ainda não tem uma previsão de estreia.

Origens otakus

Robinson é um fã declarado de anime e de games, citando o jogo de dança Dance Dance Revolution como uma de suas principais influências para começar a compor quando adolescente. Em suas apresentações, o produtor usa referências visuais e sonoras a produções japonesas, e até mesmo dirigiu um videoclipe com o A-1 Pictures, responsável por séries animadas como Your Lie in April, Erased e o futuro Solo Leveling.

Embora não tenha tomado a frente criativa do clipe de “Everything Goes On”, Robinson conta que participou do desenvolvimento do vídeo, apontando detalhes e dando feedbacks para que o tom emocional do vídeo seguisse o mesmo da música – o que, segundo ele, não foi muito difícil, já que a equipe responsável estava com os pensamentos alinhados aos seus.

Tudo isso contribuiu para o jeitão de abertura de anime do clipe, um vídeo curto que te leva em uma jornada emocionante e, em pouco tempo, conta a história dos personagens, mostrando suas perdas e medos, e também a fonte de sua força. Segundo Porter:

“Escrevi pensando em uma pessoa que amo muito, que estava passando por uma situação complicada de saúde. Me coloquei no lugar de alguém que estivesse doente e pensando nos relacionamentos entre as pessoas e na efemeridade da vida.”

A letra reflete esses pensamentos de pesar, ao mesmo tempo em que ressalta os relacionamentos em suas mais diversas formas: romance, amizade e família. Tudo isso é traduzido para a animação, que enche os olhos com suas cores vibrantes e movimentos fluidos.

Um toque pessoal

Os pensamentos sinceros de Robinson transparecem na letra, mas é na melodia que moram os detalhes mais sutis e impactantes. Apoiando-se pela primeira vez em guitarras e em um som com a construção mais próxima do rock, o produtor conta que a criação da música teve um episódio curioso.

Logo no início do processo de composição, Porter pediu para um dos músicos da Riot Games, Brendon Williams, mandar alguns loops com riffs de guitarra e trechos de piano, sem dar nenhum detalhe sobre o que estava planejando para a canção. Mesmo sem saber, Williams acabou enviando um riff que combinou tanto com a visão de Porter para a música que está na versão final da música, no pré-refrão.

Robinson (esq.) no estúdio durante a gravação da música Everything Goes On

Outro detalhe para deixar o coração quentinho é que a noiva do produtor, Rika, deu voz ao coro da mesma parte da música. Segundo Porter, foi ela quem apresentou o jogo para ele e, antes mesmo da colaboração acontecer, pediu para participar de alguma forma, caso um dia ele tivesse participação na trilha de League of Legends – um sonho realizado em “Everything Goes On”.

Cheia de toques pessoais, a música acaba sendo como uma extensão do trabalho apresentado por Robinson em Nurture, seu álbum mais recente, que trata de temas como depressão, aceitação e superação. As emoções tão transparentes e sinceras passam familiaridade, evocando sentimentos de nostalgia. E era exatamente isso que a empresa e o músico queriam.

“Na verdade, eu quis me assegurar de que eles sabiam qual é a direção que estou seguindo com a minha música, e que era isso que queriam quando me chamaram para trabalhar neste projeto”, diz ele.

Capa do single digital Everything Goes On

Conheça seus ídolos

Sou uma grande fã do trabalho do Porter Robinson desde seu primeiro EP, Spitfire, que mistura um instrumental bem trabalhado com elementos que estavam em alta quando o álbum saiu, em 2011. No ano seguinte, ele lançou Language, que apareceu no primeiro Forza Horizon, e é uma das minhas músicas favoritas da vida.

Fugindo dos estereótipos da música eletrônica da época e refugiando-se em construções mais focadas na emoção e introspecção, os lançamentos dele sempre ressoaram em mim e me acompanharam durante muitos anos, em momentos como quando terminei a faculdade e quando saí da casa dos meus pais para morar sozinha. Por todos esses momentos, e por frequentemente traduzir meus sentimentos em música, Porter Robinson foi (e ainda é) um dos meus artistas favoritos.

Através da entrevista, pude conhecer um pouco mais do processo criativo, mas também enxergar a sinceridade e a entrega de Robinson para cada um dos projetos em que ele participa. Além disso, também descobri que gostamos das mesmas campeãs do LoLzinho (Diana e Leona, claro).

Às vezes, é bom conhecer seus ídolos.

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