Um mês com o iPhone 11 Pro Max

O iPhone 11 Pro Max é um smartphone impressionante, mas não é o que eu compraria

Marina Val Publicado por Marina Val
Um mês com o iPhone 11 Pro Max

Nas últimas semanas, pude dedicar tempo ao novo smartphone top de linha da Apple: o iPhone 11 Pro Max. Ele traz mais câmeras, mais poder de processamento, uma tela OLED de 6,5 polegads com HDR e é capaz de fazer fotos e vídeos impressionantes. Além disso, o aparelho conta com novas funções como o modo Noite e o Quick Take de Vídeos, mas será que ele é tão superior assim?

As câmeras super poderosas salvam o dia (e a noite)

Na parte traseira temos a ultra-angular (ƒ/2.4), a grande-angular (ƒ/1.8) e teleobjetiva (ƒ/2.0). É possível alternar entre as três e conseguir imagens mais abertas ou mais fechadas sem sair do lugar, o que é muito útil em lugares com grande concentração de pessoas.

Além disso, para alternar entre foto e vídeo ficou bem mais fácil com o Quick Take: com a câmera ativada, apenas segure na tela (ou no botão do volume) e, ao invés de tirar uma sequência fotos, você vai começar a gravar um vídeo.

Entretanto, mesmo com as três câmeras e todas as possibilidades que elas oferecem, de retratos com efeito bokeh, controle de profundidade e até vídeo 4k a 60 fps, o que realmente me impressionou foi o modo Noite.

Olhos de gato para ver no escuro

A ideia não é exatamente nova: tirar fotos em ambiente de baixa luminosidade. Porém, o resultado costumava ser uma foto granulada, cheia de ruído. Eu achei que esse seria exatamente o caso aqui e não foi bem assim.

O que o iPhone 11 faz de diferente é que ele tira várias fotos em sequência e junta todas em uma única imagem (similar a uma HDR). É preciso segurar o aparelho com firmeza enquanto ele tira várias fotos em um período de alguns segundos (normalmente de 2 a 5 segundos, mas pode ser ainda maior em ambientes com menos luz). Caso alguns frames saiam borrados por você tremer enquanto aguarda os segundos necessários, eles serão descartados na composição da imagem.

Exemplo de foto no modo noite: a única fonte de luz era a TV

Sim, alguns celulares da Samsung já faziam isso há mais tempo, mas o processador A13 da Apple usa machine learning e Neural Engine de uma maneira que os resultados são muito mais satisfatórios, com cores mais naturais e com menos ruído. Nem toda imagem feita desse jeito vai ficar perfeita (especialmente se tiver crianças ou animais envolvidos, pois é difícil que eles fiquem parados pelo tempo necessário), mas as que funcionam, ficam muito impressionantes.

E uma surpresa na câmera frontal

Normalmente relegada apenas à “câmera mais tosquinha só pra tirar selfies”, mas no caso dos iPhones 11, eles têm uma surpresinha extra que foi apelidada de “Slowfie” ou Selfies em Slow Motion.

Não é nada grandioso, mas pode ser uma ferramenta divertida para gravar vídeos para o Instagram brincando com seu animal de estimação ou balançando os cabelos ao vento.

Uma tela pensada para jogos e séries

Uma das principais diferenças do iPhone 11 Pro Max em relação aos outros modelos da Apple é a tela OLED de 6,5 polegadas. Com resolução maior (2688 x 1242 pixels a 458 ppp), mais contraste (2.000.000:1) e o HDR, os jogos e séries ficam ainda mais bonitos.

Se você é adepto de assistir a séries no trajeto para o trabalho ou mesmo em viagens mais longas, seja de ônibus ou avião, a tela do Pro Max pode ser de grande utilidade. Claro, se você tiver coragem de usar um celular desses em lugares públicos. Caso contrário, ele será mais útil para você jogar alguma coisa no sofá de casa quando outra pessoa da sua casa estiver assistindo TV.

Outro ponto que também tira vantagem da qualidade da tela é o Apple Arcade, a plataforma de jogos da Apple. Contudo, vale ressaltar tanto que essa não é a única forma para adquirir jogos (a app Store tem vários jogos bons), quanto que essa plataforma não está disponível exclusivamente para os modelos mais recentes do iPhone. Os smartphones da Maçã que podem ser atualizados para o iOS 13 (a partir do 6S) também são compatíveis.

Design e um acabamento mais durável

Logo que o iPhone 11 Pro foi anunciado, os comentários giraram principalmente em torno de suas três câmeras e a possível tripofobia (medo de agrupamentos de pequenos buracos ou protuberâncias) que ele causaria.

Tendo usado o celular por apenas algumas semanas, não cheguei a encontrar ninguém que realmente ficou com aversão ao design. É possível que exista, mas a maioria das pessoas ficou apenas curiosa e não com fobia.

iPhone 11 Pro Max Dourado
iPhone 11 Pro Max Dourado

Além do visual das câmeras, o iPhone 11 Pro Max tem acabamento em aço inoxidável e vidro matte. Com isso, ele é mais resistente que o alumínio dos modelos anteriores e do iPhone 11 básico, mas a pergunta que fica é: quão mais resistente?

Sendo completamente sincera, não tive coragem de arremessá-lo com força contra a parede (e tem muitos testes de resistência disponíveis por aí). Só posso garantir que, com a capinha que ele estava, ele sobreviveu ao meu uso desajeitado e algumas quedas sem nenhum arranhão. Uma delas inclusive enquanto eu tentava tirar essa foto acima. (Oops, foi mal!)

Não sou digna de levantar o Mjolnir

Um dos melhores momentos de Vingadores: Ultimato acontece quando Steve Rogers, o Capitão América, levanta o Mjolnir e temos a confirmação, de uma vez por todas, de que ele é digno. Nas últimas semanas, eu carreguei na bolsa e nas mãos um iPhone 11 Pro Max e, apesar da satisfação que sentia em tirar fotos que faziam o mundo parecer mais bonito do que realmente é (especialmente no modo noturno), eu senti que não era digna.

Veja bem, o aparelho em si é um espetáculo. A bateria durou um dia inteiro – com folga – mesmo com uso intenso (realmente aproveitei para testar o máximo de todos os jogos do Apple Arcade que consegui nesse tempo), a câmera é absolutamente inacreditável, realça as cores de uma maneira natural e mostra detalhes que eu nem sabia que existiam na vida real. O problema não é ele, sou eu.

Como alguém que mora em São Paulo e cujos principais meios de locomoção são o transporte público coletivo e os meus próprios pés, não me sinto confortável de levar constantemente comigo um objeto que custa entre R$ 7.599,00 e R$ 9.599,00 como o iPhone 11 Pro Max.

Mas ele é tudo isso?

Há alguns meses, eu tinha praticamente me convencido a voltar para o Android depois de muitos anos fiel à Maçã. Estava quase decidida a ceder aos encantos das três câmeras do Samsung S10+, apesar da insistência dos amigos Xiaominions sobre as vantagen$ do Mi 9.

Depois de passar algum tempo com o iPhone 11 Pro Max, eu fiquei realmente impressionada com todos os recursos e desisti de abandonar a Apple, entretanto, não é o smarthphone que eu realmente compraria. Mesmo considerando descontos de operadoras de telefonia, o preço é fora da minha realidade. O que o iPhone 11 básico oferece já é mais que suficiente para o usuário médio, no qual eu me incluo, e por praticamente metade do valor: a partir de R$ 4.499,10 (à vista). A lente teleobjetiva, a tela super retina de 6,5 polegadas e a maior duração de bateria não compensam o salto no valor.

Se você está decidido a se manter fiel à Maçã e quer ter a melhor experiência possível do iOS, talvez o melhor seja pegar o iPhone 11 básico. Assim, com a diferença de preço em relação a um iPhone 11 Pro Max, sobra uma graninha para pagar a assinatura do Apple Arcade, da Apple TV+ e quem sabe até o suficiente para uma TV nova.


Este review foi feito com um iPhone 11 Pro Max cedido pela Apple.