Os consoles mais bizarros dos últimos 50 anos

Conheça o Color TV-Game, o videogame da Apple, o Play Station da Nintendo e outros aparelhos curiosos

Eidy Tasaka Publicado por Eidy Tasaka
Os consoles mais bizarros dos últimos 50 anos

Comparado a outras mídias, o videogame é algo relativamente recente, com menos de cinquenta anos passados desde o lançamento do Magnavox Odyssey, em 1972. Durante esse período, vimos sucessos estrondosos como o PlayStation 2 (que completa vinte anos em 2020) e o Wii, ambos com mais de 100 milhões de unidades vendidas. Mas também fomos surpreendidos por bizarrices e fracassos, vindos até mesmo de empresas que lembramos mais pelos acertos, como a Apple e a Nintendo.

Fizemos um pequeno apanhado de alguns desses consoles raros e pouco conhecidos do público, para ajudar a entender melhor a evolução da tecnologia que acabou inspirando plataformas muito mais conhecidas pelo público.

Color TV-Game

Ao contrário do que muitos imaginam, a trajetória da Nintendo nos consoles caseiros não começou com o Nintendo 8-Bit. Desde 1977, a empresa japonesa já trabalhava com o Color TV Game 6, um aparelho que tinha seus “controles” embutidos na própria carcaça do console, além de seis variações do jogo Pong (daí o número no nome).

Para controlar as barrinhas, os jogadores devem mexer nos botões que ficam nas extremidades do console. Os demais seletores servem para ajustes simples, como o tamanho das barras, a velocidade da bolinha e as tais seis variações, que não mudam muita coisa no jogo em si.

Apesar da simplicidade, o Color TV-Game recebeu outras quatro versões, com jogos diferentes e mudanças sutis nos controles, como o Color TV-Game 15, Color TV-Block Breaker, Color TV-Racing 112 e Computer TV-Game. Essa linha de consoles foi lançada apenas no Japão e foi desenvolvida através de uma parceria entre Nintendo e Mitsubishi, que é mais conhecida atualmente como fabricante de automóveis.

Apple Pippin

O console com nome de hobbit nasceu de uma parceria entre a Apple Computer e a Bandai, em meados de 1995. A aventura durou pouco mais de um ano, teve poucos títulos lançados e vendeu em torno de 40.000 unidades. Muito pouco, se comparado à concorrência: o Nintendo 64, por exemplo, foi lançado apenas um ano depois e vendeu mais de 32 milhões de unidades.

A ideia de lançar um videogame não partiu da empresa da Maçã e sim da Bandai, que estava procurando uma forma de entrar no mercado de consoles na época. Entretanto, o Apple Pippin não se mostrou muito competitivo, já que ele custava US$599 na época do lançamento, enquanto a Sony vendia o PlayStation pela metade do preço.

O aparelho da Apple era basicamente um Macintosh com uma configuração bem básica. E se ele tivesse se vendido como um computador de baixo custo, talvez tivesse se saído melhor. Mas nem pra isso serviu, já que o console não vinha acompanhado de um teclado, mas de um controle em formato de bumerangue.

Super Famicom Box

Durante a década de 1990, foi febre aqui no Brasil pagar para jogar videogame nas locadoras. Era uma forma barata e eficiente de testar jogos gastando pouco. No Japão, a prática equivalente era pagar para jogar videogame nos hotéis, durante as viagens de trabalho. No lugar do atendente com caderno e caneta anotando as horas de cada um, tínhamos um console gigantesco com um coletor de moedas e um contador de tempo.

Lançado em 1993 apenas no mercado japonês, o Super Famicom Box tinha entrada para dois cartuchos multijogos e um slot frontal para armazenar os controles. Um desses cartuchos tinha que ser obrigatoriamente o que tinha Super Mario Kart, Star Fox e Super Mario Collection – como é conhecido o Super Mario All-Stars no Japão –, porque ele continha a bios capaz de manter o aparelho em funcionamento.

Essa ideia já havia sido implementada pela Nintendo na geração anterior, quando eles lançaram o Famicombox, que tinha entrada para até quinze cartuchos ao mesmo tempo. Pelo visto, jogar videogame em hotéis era bastante comum para os japoneses.

Play Station

Nintendo e Sony firmaram uma parceria em meados da década de 1990 para a criação de um leitor de CD-ROM para o Super Nintendo. A tecnologia já não era novidade, uma vez que a NEC e a Sega já haviam implementado a nova mídia em seus consoles: o TurboGrafx-CD foi lançado em 1988, enquanto o Sega CD saiu em 1991.

A mudança era imprescindível na época, já que produzir jogos em cartuchos estava se tornando caro, além de ter um espaço de armazenamento de dados muito menor.

O acordo entre as gigantes previa o lançamento de um acessório capaz de ler os discos no Super Nintendo, além da criação de um console híbrido por parte da Sony, que leria tanto os jogos em CD quanto os cartuchos do Super Nintendo. Esse protótipo foi batizado de Play Station, separado mesmo. Entretanto, o acordo entre as partes foi quebrado pela Nintendo e a treta acabou dando origem ao PlayStation da Sony.

No último mês de outubro, Terry Diebold, o dono de uma das poucas unidades do protótipo, decidiu leiloar a preciosidade e postou fotos em sua conta no Twitter:

SG-1000

Outro console pouco conhecido, mas muito importante, foi o SG-1000, o primeiro videogame lançado pela Sega e uma tentativa da empresa de fazer frente ao Famicom, console 8-bit da Nintendo que foi lançado no mesmo dia, 15 de julho de 1983. Pouco adiantou o esforço, já que o console vendeu em torno de 2 milhões de unidades e fracassou em sua missão anti-Nintendo.

A plataforma usava cartuchos como mídia principal, mas também podia ler cartões, através de um add-on chamado Card Catcher. Ao todo, foram lançados apenas 71 jogos para o console.

Foi no SG-1000 que Yuji Naka, conhecido pelo seu trabalho na franquia Sonic, fez a sua estreia nos games, com o jogo Girl’s Garden.

O console ganhou mais duas revisões, lançadas em 1984 e 85. Nenhuma delas foi um grande sucesso de vendas, mas elas tem a sua importância por terem servido como base para o Master System, primeiro grande sucesso da empresa. Um triunfo tão grande, que é vendido até hoje aqui no Brasil.