Por que temos vontade de esmagar coisas fofinhas?

O truque do nosso cérebro para prestarmos atenção ao ambiente que nos cerca

André L. Souza Publicado por André L. Souza
Por que temos vontade de esmagar coisas fofinhas?

Você já percebeu que toda vez que você vê aquele filhotinho de cachorro bem pequenininho e de olhos gigantes, você tem vontade de pegar e apertar muito? Ou quando você vê aquela criança fofinha e bochechuda, você tem vontade de pegar as bochechas delas e apertar? Você já parou pra pensar por que a gente faz isso? Por que a gente sempre quer apertar tudo que é fofinho?

Às vezes nosso cérebro faz coisas que, apesar de hoje em dia não fazer muito sentido, fazia sentido muitos e muitos anos atrás. Quando éramos ainda caçadores e vivíamos num ambiente onde corríamos risco de morte física por algum predador, o nosso cérebro aprendeu a lidar com esse ambiente no sentido de minimizar distrações: quanto mais atentos estivéssemos aos perigos do ambiente, maior a probabilidade de sobrevivermos. Filhotes são fofinhos por que isso desperta em nós uma vontade de proteger o bichinho.

No entanto, esses mesmos traços fofinhos nos deixam muito felizes (a gente sempre sorri ou fica mais feliz quando vê um filhotinho fofinho). E sentimentos (felicidade, tristeza, medo, etc.), sempre influenciam na forma como o nosso cérebro funciona e presta atenção nas coisas. Em outras palavras: se você está muito feliz, seu cérebro não vai prestar tanto atenção no que está ao seu redor. Ou seja: você pode não perceber os perigos que te cerca. Da mesma forma, se você está com muito medo, seu cérebro pode não perceber as coisas boas que têm a sua volta.

Quando ficamos muito felizes com as coisas fofinhas, o cérebro fala: “Se você ficar feliz demais, não vai prestar atenção nos perigos. Então deixa eu colocar uma pitada negativa nessa felicidade pra poder equilibrar um pouco a emoção positiva e te fazer ficar mais alerta”. E é por isso que ele ativa uma sensação de querer esmagar, apertar e, às vezes, até mesmo machucar a coisa fofinha. Isso fazia muito sentido antigamente (e era o que garantia a sobrevivência das espécies fofinhas). Como hoje não temos mais as mesmas ameaças no nosso ambiente, esse tipo de comportamento parece não fazer mais sentido, mas como o nosso cérebro já está acostumado a fazer isso por milhões e milhões de anos, ele continua nos trazendo essa sensação quando vemos algo fofinho.

Essa vontade de apertar é apenas um sentimento pra equilibrar um pouco a felicidade extrema que coisas fofinhas nos trazem. Ela não é suficiente para nos fazer machucar o filhotinho ou a criancinha. É só mesmo uma forma que nosso cérebro encontrou de controlar um pouco o sentimento positivo pra que a gente preste mais atenção à nossa volta. Nosso cérebro é mesmo bem complicado, né?