Revendo Yu Yu Hakusho | A dublagem era tão incrível quanto a gente lembra?

"Não conheci o outro mundo por querer!"

Pedro Duarte Publicado por Pedro Duarte
Revendo Yu Yu Hakusho | A dublagem era tão incrível quanto a gente lembra?

Resolvi assistir à Yu Yu Kakusho novamente. Primeiro, porque, na minha memória, era um dos melhores animes que já tinha visto. Segundo, porque tenho certeza que não vi todos os episódios: acompanhava na TV, na época da escola, então é provável que eu tenha chegado mais tarde em casa em um dia, enfim, queria ver o anime completinho, do início ao fim.

Sentei para assistir a um episódio, terminei vendo seis. E, então, decidi escrever esse texto.

Yu Yu Hakusho: episódios de um a seis

No primeiro episódio, tomei um baque: o ritmo mais lento do que os animes atuais meio que causou um estranhamento. Mas o anime é tão bom, os personagens tão carismáticos, que isso logo ficou para trás.

Outra questão importante foi assistir em uma TV, que chega a 4K, um anime em qualidade de DVD. Ele, quadradinho ali na tela grande, 4:3, ficou com pixels enormes. Parecia que realmente estava voltando ao passado e assistindo a algo na qualidade sofrível do formato RMVB (quem viveu sabe!)

A dublagem do estúdio Áudio News é muito boa, todo mundo já sabe! Mas em minha memória era ainda melhor. Claro que é divertido ver expressões nossas colocadas no anime: Yu Yu Hakusho, salvo engano, foi um dos primeiros a adotar uma dublagem bem “doida”, cheia de gírias e coisinhas que eram moda na época.

E haja “muita calma nessa hora”. Todos os personagens falam isso o tempo todo. Mas por que esse exemplo especificamente incomoda? Yusuke, um jovem de 14 anos; Koenma, o filho de Deus; Botan, “a morte” que vira assistente do detetive Urameshi: todos falariam da mesma forma? Seu pai usa as mesmas expressões que sua avó e que você? Então, admito que ficou com a curiosidade de assistir com áudio original e legendas só para saber o que eles estariam “realmente falando.”

Fora isso, que é um detalhe, em apenas seis episódios, Yusuke foi detetive do mundo sobrenatural, espiritual e até mesmo do mundo natural.

A conclusão é de que continua bem divertida em muitos momentos, e dá até um diferencial ao desenho. Mas, se eu assistisse hoje, com certeza seria mais crítico. E o mercado mudou, quem assiste anda mais crítico também e tenho certeza que a falta de padronização básica citada acima seria motivo de muito barulho na internet (que faz barulho por muito menos e, dessa vez, teria razão em reclamar)

Destaque para abertura: não pulei nem uma vez e cantei junto. Aí vem a questão: será que a letra foi bem traduzida? Bem localizada? Não faço a ideia… E fica a contradição de quando tudo se mistura: o fã, o jornalista, a memória afetiva, etc.

Ainda vale a pena?

Oh, se vale! Parei no episódio seis, no qual Yusuke encontra pela primeira vez Kurama e Hiei, mas sem confronto. A luta agora é com Gouki, um dos ladrões dos sete artefatos do mundo espiritual. E mal posso esperar para ver (relembrar) como o humano recém ressuscitado vai lidar com o Ogro/Oni, que acaba de mostrar sua forma verdadeira.

Volto em breve, assim que tiver mais sobre o que escrever (com certeza, não deve demorar)


Pedro Duarte é editor-chefe no NerdBunker. Trabalha com jornalismo cultural e tecnologia há dez anos. Já colaborou com publicações diversas e palestrou em eventos em todo o Brasil sobre jornalismo, cultura pop e internet. É autor de três livros. O mais recente, Gastaria Tudo com Pizza, saiu em dezembro de 2019, pela editora Pipoca & Nanquim. Apresenta o podcast This is Brazil.